sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Da Beleza de Ser o que Não se Pensa

Penso o que digo
meio sem abrigo
vejo no semblante
estudo o vento
sinto a estante
reparo no alento
escrevo doravante
onde cair em si
já é delirante
espero por mim
esqueço o instante
e bravio a seguir
ergo o semblante
esse de existir
sem ter ou por quê
apenas me ser
já é o bastante.

Petro.

24/09/2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Fim do Dia

Um pequeno prazer no fim do dia
traz ao derramado ser, como poderia
dizer, duma voz qualquer, este seria
aquele revolver final, o qual me faria
seu mais prelo astral, pequena alegria.

Dos tantos desfazeres, algum afazer
causando entropia, dos mais, uma qualquer
cousa da vida, feito um malmequer na
velha polida agonia, que serveria outra
vez, qual voz à vez, duma melancolia.

Quando já é tarde, e sem mais alarde,
crescer é bem duro, tudo muito
mais obscuro, daí é que vem, esse
ar noturno, aonde penetra, aviso
de uma letra, no fim do dia:
bonito e seguro.

Petro

07/09/2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Minha Poesia

A minha poesia
serve uma Pátria
essa só minha
quando juro tamanha dor
esticar seu bolor
sobre quem a caminha

Ao podar dessa via
a tudo assitia
quem já mais mantinha
e jamais sem ardor
essa minha dor
não é mais minha
sou seu professor

Então doutros prantos
desvelos, aos tantos
comem-me a flor
porque onde ia
lá longe já via
cair a tardinha
sem frio ou calor

E dessa sombrinha
fiz minha mania
essa de se pôr
feito o sol que caía
com a ventania
do fim da vadia
tarde da vinha
dum bom licor

E sem mais o amor
que tudo continha
poeta que sou
fiz à cercania
vontade tardia
e da erva-daninha
fiz-me ardor
e feito sozinha
a minha poesia
se fez e sangrou.

Petrecostal

19/08/2010

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aos que me ficam pra Trás

Aos que me ficam pra trás
os anéis os deixam
Seu pensar feito outro atrai
mesmo os que queixam,

Para não ir longe demais
prometo uma volta
breve tempo que levarei assaz
e sem mais trota
estarei de novo aos seus olhares
quando menos esperarem
serei eu loquaz.

E tudo o que tramam de mim
haverão de existir, sim!
Que outrora já fui até mais
e do que contam, assino
não mais de que necessito algo que jaz
por mim não o minto.

Aos que me ficam pra trás
um advertência:
- Não sigam meus passos jamais;
só minha eloquência.

Petrecostal

10/08/2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Trombadinha

Cá estou. Em meu canto fico e observo o movimento dos transeuntes; tudo muito rápido. Para agir não há tempo para pensar. Aquele. Outro ali mais adiante. Todos vítimas em potencial. O que é trombar, o que é roubar ou furtar? É esperar atento. Em olhos rápidos o meu momento é uma procura, pelo exato instante em que a presa solta no meio da multidão abre espaço entre os demais; mal sabe a sua irrelevância. É observado, estudado minuciosamente em seu passo apressado; todos podem ser um e um já é o suficiente, ao menos por um tempo. Enquanto espero outra chance de agir.
No canto é onde moro. Resido aqui nessa esquina, sou esta esquina e assim o torno ao redor dela, olhares passam e alguns encontram com o meu. Esse é o instante. Essa é a hora. Apresso o passo, e o coração acelera. Adrenalina. Tudo pode dar errado, posso ser pego desta vez. Mas não penso nisso, só penso em agir, o andar da vítima engrena. Viu a mim. Preciso antecipar-me a ela. E assim o faço. Ela percebe, apressa-se para fugir. Se correr, acabou. Ela precisa sentir-se segura. Esse é o paradoxo. A sua segurança em mim é a minha segurança em minha ação.
Rápido. É agora!
Uma carteira ou uma bolsa. O susto e o seu medo é meu triunfo, estava segura, não está mais; está sozinha na multidão. Eu, eu estou longe já. O roubo nas minhas mãos. Glória. Penso na glória, mas penso em nada quando vejo outra vítima em potencial. Cá estou. Em meu canto fico...

Petrecostal

13/07/2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Culpado de Todos os Crimes

Ó! Pudera eu, poeta
remover de tudo
o cabo que surdo
chicoteia e acerta
causando dor e dó
na carne faz um nó
da ferida o grito
em minh'alma aflita
por certo da fita
que formou do atrito
tão forte esse corte
dói em cada segundo
um doer profundo
que se pede a morte
e se isso passa
vem mais desgraça
posso ver tudo vindo
quando a dor, sumindo
anuncia a chegada
duma outra lapada
e feito no limbo
o passaporte carimbo
para mais catarse
não deixo de ser
mesmo sem querer
um pobre sem base
quanto mais sofro
menos vejo fim
sinto pena de mim
e cheiro de enxofro
já nas profundezas
tudo cai em si
então olham quem ri
e o pior já vem
vejo que o pior
é bastante para só
enxergar em mim bem
culpado de tudo e
acabo mudo.

Petrecostal.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

À José Saramago

Aqui, um breve adeus. Um tributo simples a uma alma complexa. Um pensador de seu nome, de seu tamanho e largura não cabe em simples adeus, mas precisaria dum livro inteiro para medir sua genialidade, seu bravio linguajar e toda sua importância, não devolvo aqui o que passou-me ele por seus livros, obras caladas, infestadas de problemáticas vigentes, e, vindo duma alma inocente, qual criança que aprendeu a falar em uma língua só sua, um estilo só seu e de uma fantasia que beira o real próximo que se encontra, não. Apenas relato o que conheci dessa grande personalidade. José Saramago, patrício de alma portuguesa, ateu e dito comunista, grande nome, grande pessoa, grande escritor, se algum dia entendi o que foi dito por ti, espero nesse breve ínterim conseguir transmití-lo, com humildade e muito carinho no coração que se eleva para achar-se mais próximo de ti.

Ao grande escritor português,

Petrecostal.

sábado, 19 de junho de 2010

Poema à boca fechada


Foto:kevin rolly

Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

[José Saramago], in "Os Poemas Possíveis"

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Segurança

Tarefas árduas têm certas pessoas. Dia desses conheci algumas meninas de boa vida que só saíam de casa na presença de seu segurança. Eram do tipo pequeno burguesas - haveria a qualquer um adivinhar; no entanto, demorei um pouco para concluir que o rapaz ao seu lado (na ocasiäo estava a menina como sozinha apenas acompanhada desse aí) ser ou ser parecido como seu namorado; vestia-se de roupas da moda e em nada era diferente de um conjuge qualquer. Demorei para notar a mocinha quase nada falar, tipo dominada pelo medo. Aí, entäo fazia seu papel o homem da segurança, de tarefa incubida de protegê-la e näo permitir afronta nenhuma de quem quer que fôsse. Isso só notei quando tentava com ela algum contato visual à fim de intimar-me mais à garota que como à tantas da sua pouca idade, guardava um charme bonito e feiçöes de princesa de conto de fada. Foi quando enquanto falava apercebí-me de aquele moço do lado dela näo ser um namorado, mas alguém que estava ali para impedir dela ferir-se física e moralmente.
No entanto, como o fraco pela carne é grande, näo deixei de investir na menina e, mesmo recebendo cortadas fenomenais do segurança - às ameaças o tempo todo, por olhar ou expressäo corporal de sua massa muscular avantajada - voltava à conversa sempre com o intuito de conquistar a garota sem achar que aquilo fôsse dar em alguma cousa errada, e com uma cara de pau sempre minha costumeira, em tratando-se de conquistas, fui todo sorrisos e fala ferina; fui todo atrevimento e ouvidos; fui eu mesmo, Don Juan.
Ao perceber o rapaz fortitudo cada vez mais distante, empolguei-me e pulei para a cadeira ao lado da novinha e cheio de lábia, impus minha condiçäo de conquistador.
- Bom, sabia que te achei uma gracinha?
Suplantei da coragem a pergunta.
Até entäo tudo corria bem. Ela respondia favoravelmente à minha cantada, o que fazia-me mais arredio ainda, à ponto de experimentar à passagem carnal e tocar-lhe o rosto com minha mäo enternecida sobre a pele lisa como a de um bebê. A garotinha inclinou o rosto e sem muita defesa, permitiu o afago, isso me deu mais coragem ainda e fui aproximando o meu rosto dela. Os olhos entreolharam-se e quase ao selar dos lábios, veio-me a lembrança do outro que até agora näo manifestara-se de modo a impedir meu avanço e quase a beijando meus glóbulos oculares fatalmente encontraram-se com os dele. A situaçäo, como por mágica inverteu-se. Percebi que aqueles dois globos de contorno branco e íris castanhas mandavam-me um aviso prévio de que se eu continuasse, algo de muito ruim iria acontecer comigo; mais particularmente temi perder meus dentes da frente. Li isso na cara do segurança e meus olhos fitaram novamente a garota com os seus por sua vez fechados e a linda boquinha de torcida por um beijo sem precedentes, foi afastando-se da minha, que volvia lentamente ao notar o risco que seria ir até o fim.
Quando ela abriu os olhos, e viu que minha cara de tacho já ia longe recuada, e, depois ao olhar para o redor, viu tanta gente assistindo à cena, desprendeu-se ela mesma do pudor e beijou-se fortemente. Caindo nas graças da paixäo, compartilhamos o sentimento do primeiro beijo sob os olhares de todos que ali estavam, foi cousa bela de se ver. De outra vez que nos vimos, a moçoila apareceu sozinha, e eu näo pude deixar de perguntar pelo segurança, ao que disse ela tê-lo esquecido em casa. Fiquei agradecido de näo ter tido razáo para temer levar um soco dessa vez e fomos ficando e, à cada encontro, cada tanto mais íntimos; tanto foi que acabamos namorando. Saíamos de canto à canto da cidade para comer e beber e também íamos ao cinema e até uma vez assistimos a uma peça de teatro. Com o passar do tempo fui conhecendo sua família e seus amigos, tornamo-nos inseparáveis, com uma fortuna única para nós dois: o amor que sentíamos um pelo outro. Selávamos nossos encontros à noite com um sexo gostoso de fazer. O que ocorreu foi diminuindo até tornar-se a saída de casal em mero "cumprimento de tabela", como dizem no futebol quando o jogo já nada vale ao campeonato; passamos pela fase das discussöes ininterruptas e o namoro foi lentamente esfriando. Até que certa vez, quando saímos para comer fora, sentamos numa mesa e temos a surpresa de receber um camarada a apresentar-se um antigo colega de sala dela. Assutou-me minha posiçäo perante a conversa que os dois levavam. Parecia eu estar apenas em um aparte do todo; eles davam-se bem e, para defender minha mulher, e como também näo tinha muito para falar no momento, apenas deixava parecer ao estranho com comunicaçäo corporal mesmo (havia malhado uns dias de namoro à pedido dela) usando dos músculos para intimidar e, vez ou outra falando algo incompreensível.
Ao fim da conversa, o camarada resolveu que queria falar comigo e perguntou-me quem eu era, que estava curioso e tudo o mais. Troquei duas palavras com êle, e foi o suficiente para que fôsse criando coragem e aproximando-se de minha namorada. Assisti àquilo calado e até quanto pude me aguentei, mas quando partiu para beijá-la, fiz questäo de mostrá-lo que estava ali e ameaçei-o com os olhos, no que ele recuou. Mas já era tarde. Ela o beijou, eles apaixonaram-se dali pra frente só andariam juntos e namorariam; sairiam ao cinema e ao teatro e todas as noites fariam um sexo gostoso...

Petro

10/01/2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cada vez me convenço mais de que o bom do futuro é que ele ainda não existe!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Do Diário de Petrecostal

Quando paro para pensar, de mim toma conta a loucura; o causo infinito de ser eu mesmo e o pêso que isso tem. Entao nao pensar, esquecer soluciona tudo e a calma noite poe-se como o agitado dia e, a tarde; princesa de Vênus anuncia que tardará desta vez mais a acontecer, entao vejo que mais um dia se foi e tal qual a deusa vespertina, tardarei eu mesmo a de novo mo ser.

Fortaleza 04/02/10

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tudo ou Nada

Quantos não foram os filósofos
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando ambos são e serão sempre
a cousa mesma,
tanto é que primam por beleza
quanto saem das bocas
desses tais pensadores.
Quantos não foram os poetas
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando sempre encaixavam em
suas poesias
eles - tudo ou nada - em outras
palavras.
Quantos não foram os políticos
a pensarem sobre o tudo e o nada
quanto mais falaram
esse que é um tornou-se outro
pois políticos são tudo ou nada
Quantos líderes religiosos
pensaram sobre o tudo ou nada
pois para esses também
os dois confundem-se, Amém.
Quantos quanto eu, por estar aqui
falaram sobre o tudo ou nada
pois que não apostaram saberem
estes, onde um começa o outro acaba.

Petrecostal

16/11/2009

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz 2010

Feliz 2010!!!

Muita Saúde e Alegria nesse Ano que Chega!

Valeu, pessoal!

Pedro B. Costa