segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Onde Ouvi Outros

Porque eu sei
Sou e provei
Anteriormente
O exemplo terei

Soube o meu ser
De construir um
Belo enternecer
De certo, comum

Goma e uma travessa
Provei essa destilação
E ao ontem, atravessa
Onde ouvi os outros, são.

Pedro B. Costa

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Alzheimer

Onde foi que eu esqueci
de ser eu mesmo?

Será que não lembrar
é realejo?

Posso saber onde foi
parar o beijo?

Eu pude esquecer até
o ensejo

E a paciência necessária
de ser um pouco o que
minha memória esqueceu

Até aquele passeio
assistencial que você
me deu

Virou poeira do tempo
Feito esse múrmuro
momento

A levar daqui a lembrança
em movimento

É daqui pra frente,
e essa é a vantagem,
francamente como
a solidão, esquecer-te
e não precisar
mais da saudade que
tudo agora se
desfaz

E o meu gênio outrora
eloquaz, resguardou o que
era para já

Como um de sumiço chá
e esse mêdo se vai
só, enquanto fico
em observar esse
instante único sobrado
de uma vida inteira
de trabalho

Mas sou mais feliz assim
e essa é minha confissão,
pois em comparação aos demais
sinto-me até mais capaz

Pois o que vive somente o
agora, não dorme e só
acorda para o bom das
cousas; estipula o plano
de um segundo e se
esquece até do mundo

Veja você também os
problemas, eu só
possuo esse endema. Outros
preocupam-se demais
com o passado e futuro
ao passo em que eu
sou já um fruto mais
maduro, sou esse fio
de navalha e corto
quando quero, pois
momento algum eu
espero para fazer
tudo aquilo que sempre
quis e venero.

Petrecostal

20/12/2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Monólogo

Há um círculo
onde estou
veja você
o meu íntimo
é não ser
o que sou

Há um vínculo
entre mim e
mim mesmo
há um cerco
há um cerco
assim vi

Vejo ainda
olhos são
não só visão
mas pensamento
a todo momento
toda a vida

Se desfaz
atenção se
sobra à
essa obra
esse chão
se desfaz

Sobrou eu
mas não só
na cabeça
dá como nó
esclareça
essa turveza

Essa escuridão
faz-me ver
como um claro
detalhado e
tem a ver
com solidão

Não sou não
o que eu penso
sou só bom senso
vejo a razão
entornada feito
entretenimento

Há uma voz
fala comigo
de pouco a pouco
um tanto isso
um sobreaviso
há uma voz

Maior talvez
mais bela seja
que passageira
tal como dor
tem a certeza
maior talvez

Que tudo isso
sirva de condição
para mim, senão
a outros tais
tão quebradiços
são os carnavais.

Petrecostal.

06/12/2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Boas Festas

Aproveito o momento para desejar Boas Festas para todo o pessoal que contribui no psil-ên-cio, que seja quebrado o silêncio e nossas vozes hajam ouvidos para elas, abraços acalentados,

Petrecostal;)

domingo, 15 de novembro de 2009


hoje eu não quero o tédio embaçado na janela.

quero apenas a lembrança de um corpo lapidado

e o sal do suor melado e entranhado

nas indecências sussurradas por entre minhas pernas.

quero a memória da fúria de dentes no pescoço

e essa coisa de pele, de carne, de alma e de osso,

que termina em espasmos e estremece a calmaria

me afagando ofegante de prazer e poesia.


(sheyladecastilhoº
.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quebrando a Cara

Era uma vez esse cara
de vez em vez]
quebrava a cara
a sua tez
tinha cor clara
tudo em três
copos virara
a embriaguês
desse cara
era cortês
cousa rara

Dizia ao mundo
o que sentia
um vagabundo
sem serventia
um sujismundo
sem garantia

Era perseguido
a todo instante
era atrevido
um diletante
cada aprendido
era um rompante

Um belo dia
desses claros de Sol
evanescia
em um atol

Acomoeteu-se
esse tal cara
ajoelhou-se
quebrou a cara

Ao ver no céu
uma luz clara
um escarcéu
atrás do cara

Arrependeu
tudo o que fês
observou
e deu adeus
pulou e aspirou
ainda um ar
um ar cortês

Se falou desse cara
ser não homem
mas um Deus.

Petrecostal.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Reunião de Condomínio

Passavam as 19:00hrs, Horácio sabia que dessa vez não tinha volta, havia prometido à mulher ir à tão adiada reunião de condomínio. Costumava nunca perder tempo com essas cousas, considerava um jeito de desperdiçar sua já limitada paciência. Mas hoje não tinha jeito. Fincara compromisso e, se faltasse, teria de dar explicações à patroa. Logo que chegou do trabalho deu-se por decidido. Teve até o cuidado de tomar um bom banho e colocar uma blusa de tecido que comprara recentemente e que estava mais novinha que as outras. Se era para fazer o negócio, queria fazer direito. A descida, no elevador, sentiu uma sensação estranha, a ansiedade fez seu coração bater mais rápido. Lembrou-se dos tempos de menino, quando tomava coragem para pedir ao pai e à mãe cousa lá que fôsse; uma permissão, talvez. A porta abriu-se e Horácio pôs-se para fora já a ouvir o rebuliço da reunião a começar. Notou várias caras estranhas, gente com quem nunca havia tido contato, outros já seus conhecidos quiseram passar a imagem de que nada havia com o que se preocupar. Foi entrando. Aos poucos acalmou-se e sentou-se em um lugar vago, entre duas mulheres, uma senhora mais velha e a outra uma moça não tão novinha também. Acomodou-se, deu um prumo na roupa e assistiu aos primeiros dez minutos de reunião no mais absoluto silêncio, apenas ouvindo. às vezes os moradores de seu condomínio reverberavam por todos os lados. Ao olhar seu redor, percebeu que todos ali conheciam-se, ele era o único novato. Um neófito. Esperava o melhor momento para falar, mas o instante em que decidia-se por intervir era sempre o mesmo do qual valia outro para dar sua opinião. Resolveu ficar calado, só prestando atenção e assim o tempo foi passando e outros falavam; discutiam sobre o andar em que vivia um jovem muito barulhento e destes sem preocupações para com o conglomerado que era o edifícil; falavam do aumento do consumo de energia elétrica ao dobro quase do do mês anterior; dos zeladores reclamões que pretendiam aumento em seus salários; do preço do cloro da piscina e dos valores e cifras todos relacionados ao porquê daquela reunião; e teve até alguém para lembrar da questão ambiental e reclamar em voz alta a coleta seletiva do lixo, afora o gasto com o resíduo usual.
Aconteceu que, Horácio foi ouvindo e esqueceu de prestar atenção de tanto que ouviu, as vozes passaram a serem ditas em um volume mais baixo, o seu olhar ao redor começou a ficar turvo e seu comportamento, o de uma pessoa sonolenta, e foi indo tanto que cochilou.
Ao abrir de olhos, Horácio logo percebeu todos ali presentes estarem voltados para seu corpo solto na cadeira de plástico que já quase de pernas quebradas, sustentava seu pêso jogado todo por força da gravidade contra o frágil material do qual era feita. O embaraço não pôde ser maior, e a primeira ação sua foi recompôr-se e sentar direito, logo ao mesmo tempo em que balbuciou certas palavras ininteligíveis, puxou do ar do local, pôs mui indistintamente as duas mãos entrelaçadas sobre a mêsa, e com um ar de forçada importância dizer:
- Sim. Por onde paramos?
As reações foram das mais diversas. Houve quem balançasse a cabeça em tom de desaprovação e até quem risse. Mas o fato é que a reunião continuou como se nada tivesse acontecido, as pautas foram fechadas, o caixa também, as pendências, adiadas e deram por finalizada a assembléia. No elevador com algumas pessoas, Horácio surpreendeu-se com o bom humor dos condôminos que até então desconhecia, o que , para êle , foi agradável. É claro. Teve vergonha. Mas esse sentimento foi substituído por uma inesperada afeição pela compaixão e paciência dos demais para consigo. Quando chegou em casa e contou à mulher, ambos riram muito e até fizeram um amor mais gostoso àquela noite. Desde então, não faltou a mais nenhuma reunião do condomínio, e algum tmepo mais tarde foi até mesmo votado cíndico, função que passou a exercer como um hobby paralelo ao seu trabalho natural, de arquiteto; desse modo foi vivendo e nunca esqueceu da primeira vez. Da sua primeira reunião de condomínio, de seu sono sem precedentes e de como tudo isso terminou.

Pedro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lua Nova >>>





A Viagem de Chihiro

Cheguei há pouco. Aqui estão os milhares de mundos paralelos, fechados entre/capas, letras observando-me - bichinhos de papel - acenando-me com seus títulos e temas sugestivos ora pertinentes, suas cores, imagens, símbolos, blocos, caixas de informações, receptáculos, conteúdos, vasos... Copas. Acaricio-os, folheio um e outro. O verdadeiro Graal, através desses mundos, vai encontrando um novo sentido para o Real. É necessário seguir despegandome. Racionalmente, porém. Ontem me presenteei com um pequeno / grande espaço - o prazer incomparável de gerir a vida. Minha vida! Com direito à varandinha para céu amplo, que se abre ao futuro imediato como este fundo marinho, bailinho de estrelas/música lenta, desfile de nuvens, ou mesmo no mau humor típico das noites em minha cidade... Seja bem-vinda você também, Lua Nova.


Em seguida, chegam às minhas narinas os vapores ébrios daqueles que invariavelmente confraternizam com a solidão, identifico um afeto discreto - discretamente desejado, e ainda penso muito no silêncio e nos olhos daquele que arranhou-me a pele e o querer, há anos amortecidos pelo medo de Amar. Lambo essas feridas recentes, tão cruas / cruéis... Viscerais quanto as minhas novas determinações. Tudo é novidade. Eliminar o que não serve é novidade. E não é algo para lamentar-me. É que por vezes, o sinto tão intrigante e perto, justo quando a saudade interpõe-se - como um fantasma doméstico - entre a atividade diária e a lembrança de si - mais que tudo - de quando – tu - adormecia em meus braços, suavemente entregue, o hálito próximo, o hábito posto, e eu nunca, nunca conseguia dormir... não podia dormir - Magia para suspender o Tempo... Os muitos que sabem que a paixão é mesmo assim, dirão Amém.

Eis o retorno à autentica Vontade de realizar, agregar, eleger, construir, criar, reformar, emagrecer, e amar, e amar, e amar-me.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sal



Lá vai ela outra vez. Da cama pra tela, da tela pra cama. Nao sabe mais discernir entre uma e outra porque agora o sonho também tem teclado. Comer, só se for rapidinho - beber, tem que ser vinho. E tinto. Ou café. É café, que ele gosta tanto...E quando não está editando suas letras, viaja pelos espaços queridos. Ele disse...ela disse...ele disse...so nice...então, esse seu texto ela já conhecia, dear, deixou-a de 4 na época, com uma folha de sulfite nas mãos, tratando de convecer as amigas que algo transcendia. Hoje sabe que era verdade. Quantos julgaram-na uma maluca de pedra? Hoje sabe também que a dor é uma forma muito particular de prazer. Nada de sadomasoquismos, digo sim das lágrimas que misturam-se ao sangue, agregando-lhes viço e sal.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jamais

É só que não dá mais
esse negócio de escolher
[jamais
foi tamanha dor ater
no peito o que quer tanto
[doer
Foi-se aquele tempo de brinquedo
aquele sentar-se ao do fogo o
[labaredo
essa paixão já desvela para
vozes que não me deixam em
[paz
jamais.

Parei para olhar sua cor
Então dei por mim ser tu uma
[flor
Agonizando pensei de você
ouvir o meu sentimento
[escrever.
Sorteei-te mas
ganhar-te, jamais.

É que não és pedra de bingo
nem de longe, é na realidade
o meu maior amor proibido

Vai longe o pensamento
traz para perto você
acontece você ser unguento
e talvez não terei-te jamais

Toco o meu peito que soa
um coração em prantos

e você é essa pessoa
que me afujenta os espantos.

Tão bonita tua voz quis que
[trouxesse
um pedido mais pedido em prece

despedido é tolher como toco
a minha ladainha
[jamais.

Pedtro

15/04/09

sábado, 3 de outubro de 2009

Soneto

Pequenas Conchas

De outra vez fui mar
Para ler nas conchas
Um futuro salutar:
Essa minha vida troncha.

Quis tanto quanto pude
Reverter os quadros da vida
De vez em quando pintei
Na parede as minhas leis.

Eureka! Gritei, bem alto
São, certo e em sobressalto
Quanto pude me repreender.

Feito morro de destarte
Ouriçado em minha arte
Ao que o sei, pequena; crê!

Petro.

30/09/09

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Afeganistão

Você chama e ele vem - feliz - como um cãozinho que reconhece um dono em potencial.
O coração decodifica seus símbolos e sinais.
A senha está correta, e ele entra.
Sentidos encrespam como uma vaga de ressaca contra a murada da avenida -Tudo se alaga.
Antes – a calmaria que antecede os grandes fenômenos da natureza: Como um lapso no respirar, o silêncio majestoso das grandes cadeias.
Contra as reiteradas investidas de nossos desejos terroristas, só encontramos abrigo nas solitárias cavernas do Afeganistão.
Mas isso também não dura. E saímos em busca de alimento.
Esse que sustenta a complexa estrutura de nossos anseios mais secretos, nossas esperanças, por vezes vãs.
Ao revê-lo, dá-se um colapso no sistema.
Ebulições de euforia, explosões de alegria, prostrações de tristeza.
A máquina reage, soa um alarme estridente.
Tempo apenas de abrigar-se do bombardeio de sensações confusas nas trincheiras abertas da alma.
Então, nosso coração é uma granada e o caminho a seguir está cheio de minas antigas, esquecidas desde a última guerra.
*
Anete Antunes

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ouço minha fome

ouço minha fome devorando poemas...
de bourbon ou vinho barato, me veio o hálito de olhos marcados, bordados e expressos... que me roubam palavras como se a mim possuísse - palavras e corpo... me jogo no mundo do fundo profundo dos olhos marcados, atravessados, difusos e me confundo, mas eu que nunca fui santa, me permito ser infinita no corpo, me aprendendo em piercings e desatando nós na garganta.
afino a poesia das ruas como um bicho de cinco cabeças que evita pronomes de apego e posse e na falta de versos, apelo para acessos de tosse, tosse, tosse...
isso é tudo o que tenho e esse tudo me chega sem nome... e o que são as coisas antes de ter nome?
me embriagava de beijos, de vinho e versos sem rolha... baudelaires às avessas na busca da virtude que nos escolha e na encolha, os melhores desejos são aqueles dedicados nus e em carne viva, nossa carne crua que suspira...
sem resistência e entre palavras chulas no chão da sala, mordo a morte pra que alguém se sinta vivo ...
vivo agora voyeur imaginária de beijos que não são meus, chupo versos e estanco gemidos voltando pra casa lambendo giletes, sugando o vermelho do mel da minha língua dolorida, que não sei sugaram de mim enquanto eu ardia, ou se realmente nunca a ninguém pertenceu algum outro dia, numa outra vida.
mastigo a língua que lamberam palavras mal ditas, lançadas nas labaredas dançarinas de verdades benditas.
por isso eu peço que parta e que reparta e em outro desejo, espero que te escolha uma estrela boiante no céu e que nela te reflita a tua merecida musa, que te surja de onde vier, das ruas, dos becos, da memória ou das espumas...
e se numa nova cena, eu soltar o meu corpo e alguém pressentir, que nada foi viver perdido, ou também, que tudo que nunca fizemos tenha feito sentido, apenas iremos saber, do grito ecoante da morte mordida e do gosto do desgosto que guardava nas visceras, quando qualquer forma de pressentimento anunciava a partida.
(...) engulo meu silêncio.
e ainda ouço minha fome.

.
(sheyladecastilhoº

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando à noite, em
inúmeros vapores, salta
à alma a dor;

Esse meu leigo penar
sobre o que ainda não
vivenciei,

Este, que vem me avisar
que não me distanciei

Do choro que salta ao
olhar, duro de se
sentir, mas franco em
admitir ser meu e de
mais ninguém

Esse sentimento contém
tudo o que experimentei,

e nele fica guardado
o futuro esplêndido
em esperança, algo
que diz que nem criança
diz um pouco de sonho
morador de minha Alma
e colhedor, e é tam-
bém, sempre foi e
será, o agradecimento
ao que mo traz essa
dor que também é
noite e escuridão preta
mas que brilha qual
o luar, leva-me lon-
ge o pensar e tudo
ao redor cria vida.
É que tudo não passa
da experiência artística.

Petro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aos Libertinos



Voluptuosos de todas as idades e de todos os sexos é a vós apenas que ofereço esta obra: nutri-vos de seus princípios, eles beneficiam vossas paixões, e essas paixões, com as quais os frios e insípidos moralistas vos assustam, são apenas os meios que a natureza emprega para que o homem alcance as intenções que ela tem sobre ele; atentai apenas a essas paixões deliciosas; seu órgão é o único que vos deve conduzir à felicidade.

Mulheres lúbricas, que a voluptuosa Saint-Ange seja vosso modelo; desprezai, a exemplo dela, tudo o que contraria as leis divinas do prazer que a acorrentaram durante toda a vida.

Donzelas cerceadas durante um tempo demasiado longo nos laços absurdos e perigosos de uma virtude fantástica e de uma religião repugnante, imitai a ardente Eugénia; destruí, pisai, com a mesma rapidez que ela, em todos os preceitos ridículos inculcados por pais imbecis.

E vós, amáveis debochados, vós que, desde a juventude, não tendes outros freios senão vossos desejos nem outras leis senão vossos caprichos, que o cínico Dolmancé vos sirva de exemplo; ide tão longe quanto ele se, como ele, quereis percorrer todos as estradas floridas que a lubricidade vos prepara; convencei-vos, imitando-o, de que só alargando a esfera de seus gostos e suas fantasias, e, apenas sacrificando tudo à volúpia é que o infeliz indivíduo conhecido como homem e lançado a contragosto nesse triste universo, pode conseguir entremear de rosas os espinhos da vida.

[Marquês de Sade], in “A Filosofia na Alcova”

diário de uma paixão /


diário de uma paixão /

“Procuro teu perfume, teu ombro, tua mão no respirar morno das casas. Revolvo-me no branco dos lençóis, como o mar se resolve contra as paredes, em maré viva. O sopro do teu sono humedece-me o peito. Manhã confusa, nevoenta luz onde se quebra o pesadelo. Procuro-te, peixe alucinante, no fundo lodoso de mim. (…) O ténue tecido das cortinas separa o sonho vivido em ti da cidade há muito acordada. Prolongo esse instante de ilusão (…)“

[Al Berto], excerto de O pranto das mulheres sábias, in “À Procura do Vento Num Jardim d' Agosto”

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

As Cobras

Cobrem o meu corpo
através de um sopro
de devaneios de jogo
deveras perigoso
de caráter lastimoso
e pele escamosa

entre as presas
sua rosa

na sibila úmida
uma intenção vaporosa

Cobrem todo o chão
soçobram perversão
tomadas aquarelas

quão belas!
quão belas!

Petro

05/08

segunda-feira, 20 de julho de 2009

o cabuloso beijo roubado

vivo dentro de um labirinto andando em circulos, arrastando poemas as vezes ridículos, sentindo o peso da carne e o ferver do meu sangue já nem mais tão sagrado, que me percorre ardido dentro das artérias e veias.
meu pensamento segue em fragmentos descontínuos, porém continuo persistindo em alguma coisa que me vem e foge. sempre me perco decifrando entrelinhas e em algumas noites as palavras me doem quando me escorrem...
pelas noites quando todos os anjos são pardos, luto com meus demônios e com essa preguiça ou falta de necessidade de vivenciar um possível novo amor. prefiro contemplar muitas vezes, as fúrias das avenidas e dos asfaltos gastos e os pingados gatos perdidos pelas esquinas que se esquivam ao ouvir meus passos.
tudo aquilo que me trava de certa forma me enche de luz... talvez a minha inspiração se multiplique com mais fluidez quando ancorada na dor, quando do amor eu nada supuz...
mas é fato, que é preciso suportar a vida recheada de vermes e confeitada de adereços carnavalescos, como também é preciso amar qualquer forma de morte e beijá-la na boca, mesmo que seja à força...
e sorrir para a louca morte da boca beijada, que se rende e lambe os meus pés antes que eu a faça de pouca.

(sheyladecastilhoº

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Trincheira




Porque será que nunca olho para os seus pés?
Atenho-me à estatura e às roupas largas.
Limito-me à linha do rosto- Reflito.
Porque será que falo tão apaixonadamente da sua pele,
se ela é marcada por esse vinco/cinza/doentio,
prova irrefutável de um cansaço secular?
Limito-me à linha do tempo - Reluto.
Talvez porque o seu sorriso dismistifique a cultura das aparências,
transcendendo-a.
Você é algo assim como Cheshire - um enigma.
Meu enigma.
Então, seu olhar afiado pressiona-me contra o balcão:
Me escoro nos copos, escudos de vidro fosco,
cheios de veneno negro.
Além dessas paredes, o cheiro úmido da noite.
O cheiro da terra.
Desejo ...
meu desejo ...
Retorno ao front.
Invariavelmente entrincheirada para a guerra dos olhares que dizem coisas ... Mortais.
Vez por outra ferida por toques de pele nada aleatórios, mísseis de palavras soltas que reverberam, assobios, trechos de canções arremessados, borbardeios de cadeiras arrastadas, bombas quimicas de testosterona ... um inferno.
Meu paraíso.
Cheshire reaparece quando ameaço retirar as tropas de campo.
No último instante -"Fica".
Fico.

Novo blog

Novo blog: http://nos2somos3.blogspot.com/
Traga-me içado nos teus cabelos de âncorasVela-me insano no teu oceano de coxasTraga-me são no perigo das tuas ancasVela-me santo no tesouro das tuas conchas (aluisiomartinns )

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Menina Marina

Há a menina
Também a marina
onde se banha
e me contamina

Há o por do sol
Também há o anzol
estirado no caniço
e um ribação

De tanto roncar
Um sonho de estar
ao seu lado, Marina
na sala de estar

|

Nada de nuvens
- Por onde as nuvens
andam, Marina?

Talvez sem você
não há por que
pra não me envolver
com outra mulher
que na marina
se mostre como quer
que se mostre menina

Talvez sem saber
Eu -- em verdade
volte a esquecer
de sentir saudade

Mas todos os dias
Nas horas que banham
minhas tardes vdias
tasmbém se banham
na marina
É que a marina
sem você não é!
É que a marina,
Querida, Marina
também é mulher.

08/07

Petro.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

sem taurus



não gosto de bater portas e com isso causar feridas
eu prefiro abrir as janelas, para que invada a ventilada vida.
é prova de amor, mostrar o gosto nem tão doce da verdade
e não ferir lentamente por vício, apego e vaidade.
flutuo entre o presente e o passado que ronda recente,
eu receio todos os excessos, que fazem ar de inocente.
eu prezo e pago poemas, com outras tão minhas moedas
e galopo na sorte da vida sem culpa, sem medo e sem rédeas...

meu corpo/labirinto não é uma via sem saída,
toda fuga também pode ser um ponto de partida.

pois entenda...

nunca foi nó. foi sempre um laço.
não é calor. é um mormaço.
não é a sede que enche um pote.
no óbito, o hábito foi a causa mortis.


(sheyladecastilhoº
.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Poema Para Michael

Pedro, tu que és pedra,
diz o Senhor,
Descreve da perda a
dor do asceta e
desmistifica o pudor
que faltou em sua
reta.

Fala também, Pedro
do que ele causou
- esse menino baco
que o mundo abraçou.

Mas se baco foi
fraco, Pedro - diz
do que restou o que
foi.

Foi branco, sim
depois de preto
foi tanto assim
que até quase foi preso.

Ai de mim!
Se falhar em um
verso, ao descrever
por mim àquele
menino-universo.

Da música e da
dança, da preguiça
de crescer e
do seu caráter
volúvio.

À parecer morme
mente maluco, ia
cativando. Chamou
até criancinhas, imi
tando o Senhor,

Mas teve problema.
É que na brincadeira
de Pan acostumou,
e, Pan - velho amigo,
não se acostuma,
não. Pan, meu
amigo, levanta a
voz à quem o imitou:
- Há de ver-se
comigo.

Mas gênio que é
gênio, traz a paz no
coração.

De mexer contigo,
comigo e com todos
à quem vê irmão,
pois da genialidade
sabe-se o fim:

Vai-se o homem e
a fama de gênio,
enfim

Tola, mas verdadeira,
diz para todos os
mortais reles:

- Para mim, vós sois
só brincadeira!

Petro.

26/06
maluco

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um amor depois do outro

Edward Hopper
*

Virá o tempo

quando exultante

hás de saudar-te ao chegar

à tua própria porta, em teu espelho e cada qual


retribuirá sorrindo a saudação do outro,

e dirá, senta-te aqui. Come.

Amarás de novo a quem te era estranho: a ti mesmo.

Dá vinho. Pão. Teu coração de volta


a si mesmo, ao estranho que toda a vida

te amou, que, por causa de um outro,

desconsideras, que te conhece de cor.


Pega as cartas de amor na estante,

as fotos, as anotações desesperadas,

descasca do espelho tua imagem.

Senta-te. Refestela-te com tua vida.

*

Derek Walcott, Love after love. 1930

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Há uma estrela solta nesse céu que se enegrece agora, colada em algum pedaço do pano azul escuro que a noite vem estendendo pelo espaço.
Há um espaço em mim destinado a ela, solto, dentro, onde mais nada alcança.
Há, no céu da minha boca, a espera.
No centro da minha mão há afago.
No fundo do que sou, tua lembrança vaga que o meu tempo tem, que não apago.
E muitas vezes, há um véu lilás que tinge as tardes de inverno e que trata de ocupar todos os cantos e encantos, que os meus olhos vislumbram e deslumbram.
Ainda há dentro de mim, num lugar onde a saudade tinge em aquarela, todas as cores quentes que se derramam ao entardecer e que me escorrem em poemas que não mais fazem doer.
Há salamandras que flutuam e que aquecem o meu olhar, ao perceber o momento exato do amor se aproximar.
Há o Sol...
Foi-se o tempo do amargo e do sal.
Pela casa, há a lembrança do afago e do fogo, que nenhum futuro não mais apaga...


(sheyladecastilhoº & necka ayala


inneckaayala.blogspot.com
aliciamentosealucinacoes.blogspot.com

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Medo!



Medo,
de voltar em caminhos ontem já percorridos,
todos em vão...
sofridos, outrém, sofridos...
Medo,
de cair pelos penhascos de teus ombros,
percorrer teu corpo todo
acariciar sua pele em chama,
me afogar nas saliências,
no desalinho de teus carinhos, chegar à morte,
morrer de dor...
Medo,
de passar a noite ao relento,
te ver me perseguindo,
temer por não resistir...
Medo,
da chama que queima nas veias,
de seus passos descompassados a me seguir
dia e noite,
noite e dia,
em pensamento...
Medo,
de me ver assim,
te amando loucamente.
E principalmente medo,
de assumir, esta intensa e insana maneira de
querer...
*
( escrito na década de 80 )
*
Marcia Palhares é colunista em http://www.itapecerica.com.br/

sábado, 20 de junho de 2009

Entretanto, poeta.

Escrever o que eu escrevo não é fácil,
parece-me eu estar pintando um quadro que não é meu.
à tintas que não são minhas eà uma idéia que de mim não parte.
Posso escrever um livro ou uma frase,
seu efeito sabe-se lá como, vai ser sentido há causa.
Potento esse dom a cada instante e sou grato por ele.
Tomo parte do que escrevo, pois não sou covarde,
entretanto, poeta.

18/05

Pedro Costa.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Via via >>>


chips chips

Du du du du du

Ci bum ci bum bum

Du du du du du

Ci bum ci bum bum

Du du du du du

*

Paolo Conte / Via con me

a controversa leveza do ser

leve era eu, quando quentes os meus famintos olhos em você pousava e entre um suspiro largo e um longo gole eu me jogava no fundo infindo dos teus negros olhos, que me tragavam...
e leve eu me envolvia, nos grandes planos de seus altos sonhos e lá permanecia, quando já exausta eu te guiava pelas desconhecidas ruas, apertando forte as fortes mãos que me deixavam nua.
e como eu gostaria hoje, de te trazer pra dentro de mim quieto e de molhar de amor o que se fez deserto, de não ter que me conter dessa forte urgência, de parar de fingir essa inútil prepotência, sem me contentar com esse pesado silêncio que na minha alma grita, que me desperta de um sonho leve e me deixa aflita...
mas leve eu sou, quando tudo que sei não se traduz em versos, é quando te exponho o meu avesso e o direito do meu reverso, é quando eu esqueço os premeditados pretextos e me confesso, que finjo ser o teu, esse gosto longe que me vem na boca e o gosto do desgosto que às vezes provo de outra boca rouca e do gozo que me entrego e estranho, sem ao menos tirar a roupa...
leve sou assim, quando te trago de novo pra perto e pra dentro e depois te expulso e te jorro bem longe, quando te engulo e te expulso de mim...

(sheyladecastilhoº

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mediterrâneo


Como será teu rosto quando,
transfigurado pelo desejo?
O cabelo desregrado,
subitamente obscurecido pelo suor,
serpenteará na testa
e as pupilas emergirão do azul.
Tu serás meu cavalo, Ora leão, Ora fênix.
Terás o sabor e o aroma dos temperos que adivinho,
sempre regados com o azeite mais puro.
Se imobilizada pela sombra de teu corpo,
profanarás meu templo,
e juntos,
recriaremos o Mito de Pompéia.
Depois,
cobertos de lava e cinzas,
e vencidos “pêlo a pêlo” selvagem,
nos banharemos no Mediterrâneo.

sábado, 16 de maio de 2009

A Vizinha

Eu era um cara comum até conhecer a vizinha. Ela era uma mulher comum até ler este conto. Apresento-me como seu vizinho e ela atendeu a porta e convidou-me para entrar. Tomamos um café e entrementes eu pedi sua permissão para escrever sobre ela.
- Eu?
- Sim. Posso escrever sobre você?
Ela ficou vermelhinha de vergonha, mas consentiu. Eu fui fazendo-lhe algumas perguntas e tomando notas. Coisas banais como sua idade ou se já era casada, se tinha tido filhos, etc. etc. Me respondeu com muita calma e despreocupada. A conversa acabou tomando mais tempo do que eu esperava e quando terminamos já era tarde.
Em casa, preparei a máquina, alimentei com papel novo e comecei a bater a história de minha vizinha. Enquanto escrevia nada pareceu ser de bom gosto para mim. Amassei vários ensaios e joguei-os na lata do lixo.
Um bom tempo depois estava já ficando aperriado, as palavras não saíam e eu não tinha escrito mais do que meia página partindo da última tentativa. Olhei as horas e já era madrugada. Achei que podia ir na vizinha e tomar mais algumas notas, mas o medo de aporrinha-la me deixou na dúvida e, com o conto incompleto, comecei a andar de um lado para o outro sem saber que atitude tomar.
Após alguns minutos, tomei coragem e saí de casa para a da minha vizinha.
Ela atendeu a porta.
- Pois não.
- Olha, eu sei que é tarde; aliás já é quase de manhã e sei que a senhora é uma mulher ocupada, mas não consegui escrever nada e tinha de vir até aqui.
- Entre.
Quando botei os pés dentro do apartamento, tomei um choque: ela estava escrevendo, pois vi sobre a mesa da sala uma máquina e espalhadas, algumas páginas escritas.
- Você escreve? Por que não me disse?
- Você não perguntou...
- E, sobre o que está escrevendo?
- Sobre você!
Tomei um susto quando ela disse isso:
- Sobre mim!? Mas... mas eu é que devia estar escrevendo sobre você...
- E desde quando há regras sobre o que escrever.
Saí de seu apartamento amargamente frustrado. A vizinha ganhara de mim no jogo de quem escreve sobre quem. Mas como havia eu de imaginar que a danada também era escritora. Teria ela me usado? Fui dormir a pensar sobre essas coisas. Ainda profundamente amargurado. No outro dia pela manhã acordei com um bom humor inesperado e corri à máquina para escrever. Bati com vontade nas teclas e escrevi páginas e mais páginas - muitas mesmo - sobre as banalidades da vida, poemas, crônicas. Mas nada sobre a vizinha. Por mais que pensasse as palavras simplesmente não saíam. Coloquei para mim três questões. Ou era um péssimo escritor, ou não entendia nada de mulher (suas almas femininas indecifráveis) ou a vizinha era um alienígena.
Dias depois, por força do acaso, encontrei a vizinha no supermercado e perguntei se havia terminado o que estava escrevendo sobre mim.
- Terminei.
- E, então?
- Não sei ao certo. Fiquei com impressão de que você não entende nada de mulher. Ou que é uma espécie de alienígena.
- E, por que pensou isso?
- É que não entendi muito bem o seu jeito.
- Meu jeito? O que é que tem o meu jeito?
- Não sei como explicar.
- Como não sabe?
- Simplesmente não sei.
Nos separamos ali e naquele momento senti que deveria escrever alguma coisa sobre ela. A vizinha estava me irritando e eu queria sangue, ninguém jamais havia me humilhado daquela forma. Senti que não merecia a discrepância daquela mulher. Sentei em frente à máquina, alimentei-a com uma folha em branco e escrevi tudo o que sentia naquele momento. O resultado foi um conto longo, de quase quinze páginas, uma verdadeira análise do universo feminino. Fiquei tão orgulhoso com o que escrevi que quase chorei.
Na mesma hora toquei a campanhia da minha musa inspiradora disposto a mostrar - e se possível dizer também - tudo o que pensava dela, ou seja, que era uma mulher mesquinha e psicologicamente desequilibrada. E, o principal, que eu era muito mais escritor que ela.
Ela demorou um bom tempo para atender e quando abriu a porta, vi que estava usando uma lingerie muito sexy. Pasmei e tudo o que ia falar foi-se junto com a rajada de vento que levantou sua bata.
- Pois não.
- É que queria lhe mostrar isso. E empurrei-lhe os papéis.
- Entre.
Acontece que enquanto ela lia eu percebi que ela tinha um corpo muito bonito, apesar de o rosto não ser lá essas coisas. Quando terminou, olhou-me nos olhos e disse com sinceridade:
- Está muito bom. Parab´nes. Você é um ótimo escritor.
Engoli em seco e saí dali para casa. Desde esse dia não consegui escrever uma página sequer; abandonei a carreira de escritor e até pensei em me alistar no exército ou entrar para um convento. O fato é que ela se mudou dali após alguns meses e, ao que me lembro até lançou um romance que foi um sucesso de vendas.

Petro.

09/05

quinta-feira, 14 de maio de 2009



não percebo bem qual dimensão você habita
deve ser numa vila circular, com uma árvore centenária ao meio
deve ser uma casa amarela, com jardim, flores, trepadeiras e mosaicos no chão
o piso da sala é de tacos compridos, na cozinha há copos coloridos
na cama um edredon listrado, na lateral um criado-mudo velho (e calado)
toma vinho em canecas, também vi por aí umas bonecas
o chuveiro está pingando, no quintal há musgo e um antigo poço
tem postas umas calças verdes, na escrivaninha há uma caneta de estimação
na parede há um painel com fotos de amigos e parentes (sem esquecer do cão)
livros por toda parte, televisão, DVD, som e aspirador de pó
no chão há um tapete rústico e claro (para viagens emergenciais)
e um despertador de camelô, lilás
o sofá está puído, as unhas roídas
no espelho - teu sorriso maroto
e naquela teia de aranha, há um insecto morto
não percebo, mas imagino

terça-feira, 12 de maio de 2009

Um lugar de silêncio


Um lugar de silêncio é um lugar de entendimento.
É de silêncio, mas há muito movimento.
Meu lugar de silêncio acata todos os amanheceres,
todos os valores.
Ali temos oficinas para reciclagem de sobras,
salas amplas para apararmos as pontas.
Ao ingressarmos, zeramos todas as perguntas.
Nesse lugar não há dúvidas,
tudo é fluir.
"Paz sem voz não é paz, é medo"

quarta-feira, 6 de maio de 2009

semente (ou devolva meu fôlego)

quando eu te plantei dentro de mim eu nunca imaginei o tanto que você cresceria e crescendo assim dentro de mim eu não sabia que você invadiria e que você transbordaria um dia pelo meu suor pelos meus olhos pela minha poesia e que se espalharia também pela minha casa pelo quarto e pela cozinha e que eu surpresa e crente em milagres encantada adoraria e que também me fizesse capaz de sorrir por tudo e por nada quando me pego sozinha e eu não sabia que eu ficaria aguardando uma nova estação em que eu não te podaria mas esperando sim o florescer do amor ao qual sucumburia e da prova da fruta vermelha e doce que mel verteria na minha boca sedenta e tua que eu te ofereceria pois quando eu te plantei dentro de mim eu não sabia que isso era tudo que eu mais queria...

(sheyladecastilhoº
..
.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

...

Pô, tamo no Ceará Grande...
Vamos falar do Tricolor de Aço, que "smashed" meu VOZÃO!!

Não porra de Flamengo!

Aí está meu protesto! Adeus!

Petro.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Jamais

É só que não dá mais
Esse negócio de escolher
[ jamais.

Foi tamanha dor ater
No peito o que quer tanto
[doer.

Foi-se aquele tempo de brinquedo
Aquele sentar-se ao do fogo o
[labaredo.

Essa paixão já desvela para
Vozes que não me deixam em
[paz.

Jamais

Parei para olhar sua cor
Então dei por mim ser tu uma
[flor.

Agonizando o meu sentimento
[escrever.

Tornei-te
Ganhar-te, jamais

É que não és pedra de bingo
Nem de longe; és na realidade
O meu maior amor proibido.

Toco o meu peito que soa
Um coração em prantos
E você é essa pessoa
Que me afugenta os espantos.

Tão bonita tua voz quis que
[trouxesse
Um pedido mais pedido em prece.

Despedir-me é tocar como toco
A minha ladainha
[jamais.

Petro.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Rodney Artiles


Um bom amigo está concorrendo com sua obra (esta que vcs vêem). Peço que votem nela se gostarem. Eu gosto. abs
o link para votação é http://www.artslant.com/global/artists/show/48217-rodney-artiles

domingo, 12 de abril de 2009

Objetos humanos (ou a batalha dos sexos)

Nascemos numa sociedade hipócrita e machista. Nenhuma novidade! Somos criadas como princesinhas dentro de nossos babadinhos e quando crescemos percebemos que o babado é outro!
Homens entenderam que a revolução sexual nos colocou em pé de igualdade. Mentira! Primeiro que, com igualdade não existe tesão e como já disse Roberto Freire, sem tesão não há solução e segundo, somos vistas mais do que nunca como peito e bunda e esse olhar que nos é diariamente lançado, nos faz sentir como se fossemos nada além do que mais um pedaço de carne que se leva pra cama e que no dia seguinte (se acaso durar até o dia seguinte), paga o táxi depois de tomar um café, se por acaso nos for oferecido.
Mas queremos sim a gentileza e a delicadeza, pra poder sentir tesão de querer ser a sobremesa após um jantar que preparamos cheias de planos, ou que compramos no supermercado.
Entendam...
Há dias que estamos chorosas, dias que somos guerreiras, dias que vestimos a fantasia de puta e dias que fazemos cara de santa, dias que dormimos de espartilho e outras agarradas com um ursinho. E na maioria dos dias somos muitas, somos todas essas mulheres que nos habitam juntas!
E somos sim, o sexo frágil que tem que ir a luta e criar artimanhas pra sobreviver a tanta insensibilidade, que parte da maioria dos homens que se aproximam e nos cercam.
E vivemos a guerra dos sexos! Homens dizem que as mulheres agem de forma a não se valorizar, o que não discordo totalmente, mulheres rebatem dizendo que agem dessa maneira como forma de defesa, pra não se aprofundarem e que essa forma de agir nos foi imposta. Ambos se lamentam e se perdem no meio de tantas justificativas.
Me pergunto agora, como ficam a as mulheres (e homens) que ainda procuram viver um amor romântico, perdidos no meio de tanta busca e tantos desencontros?
Cansados. Exaustos e feito cegos no meio desse tiroteio de olhares banais e com um vazio a lhes preencher de nada, o nada que carregam em si.
Vivemos um tempo de promiscuidade e desvalorização do ser humano. Valemos pelo que temos ou pelo que aparentamos ter e ser.
Encontros se fazem na cama e os desencantos logo após quando se vestem as roupas. Conteúdo é bobagem. Intimidade é fator secundário. Descobrir o outro é irrelevante. Frustração é fato.
A busca é superficial, vale tudo pelo prazer imediato e quando consumado esse prazer, ambos seguem seus caminhos, com o mesmo vazio que tinham no instante que se encontraram. E fingindo não se importar, que daquele encontro nada restará.
Talvez, nunca mais se encontrem e se por acaso isso acontecer, é muito provavel que não se reconheçam, ou finjam que não.
Telefones são anotados às pressas, apenas como regra e um dia provalvelmente serão apagados da memória do celular, após terem sidos há tempos apagados da memória de quem anotou.
E seguimos, com a alma calada e marcada.
Não com a sensação de que falta homens de valor no mercado. Apenas uma sensação estranha de que homens e mulheres se buscam e se completam, mas ambos estão fazendo tudo errado...

(sheyladecastilho°

domingo, 29 de março de 2009

"Porque a partir do momento em que chamamos, tornamo-nos, somos já semelhantes.
A quem? A que? Àquilo de que nada sabemos.
E é tornando-nos uma pessoa semelhante que deixamos o deserto, a sociedade.
Escrever é ser ninguém. Estar morto, dizia Thomas Mann.
Quando escrevemos, quando chamamos, somos já semelhantes.
Tentemos.
Tentemos quando estamos a sós no nosso quarto, livres, sem qualquer controle do exterior, chamar ou responder por cima do abismo.
Misturar-nos à vertigem, à maré imensa dos apelos.
Essa primeira palavra, esse primeiro grito, não sabemos grita-lo.
É a mesma coisa que chamar por Deus. É impossível.
E faz-se.
MARGUERITE DURAS

sábado, 28 de março de 2009

poeta quem?

arte: tina imel


já fui insana quando insone e buscava em paraísos artificiais,

a calma falsa e lenta que me secava a boca e pesava pálpebras, que de lágrimas e gozo amanheciam grudentas.

e controversa quando insone, eu buscava na suposta insanidade o efeito fulgaz e quem sabe fatal, dos artifícios que pra mim eram naturais.

eu já chorei na frente do espelho, estourando vasos nos olhos vermelhos

e já fui uma escrava sedenta de voláteis prazeres grotescos...

já fui semente, demente, já fui doente e quem não foi?

e fui curada, amaldiçoada e já fui amada por quem ficou e por quem se foi.

e também fui amante de vorazes defeitos, que pra mim no instante pareciam perfeitos

de quem não prezava em nenhum momento, o meu menor contentamento.

eu prezo tanto meus arrependimentos , quanto meus desprendimentos...

eu já pequei em nome do encantamento e me desesperei em silêncio em sepultamentos.

já fui um dia também, raiz encrustada na rocha e espuma cor de rosa lançada ao vento.

hoje, eu apenas debocho da sorte da vida e aceito o afago dos que me dizem poeta,

mas eu apenas espio o suspiro das frágeis vidas

e falo de amor, cicatrizes, feridas

encontros, desencantos e das partidas que assisto atenta e muitas vezes passiva,

por entre as fendas sombrias, de portas pra sempre batidas

e pelas frestas que vazam luzes poéticas, de janelas que insisto em deixar entreabertas...

.

(sheyladecastilho°

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sexta-feira, 27 de março de 2009

A LIBERDADE

Uma borboleta voando
A cachoeira chorando
O paço da amada chegando
O leite na tigela qualhando

Ver o mundo pela janela
O olho castanho dela
Um grito que da rua vela

Aquele povo guerreiro
O porco chafurdando no chiqueiro

Da fazenda que abriga a estiagem
Cheia de gente de vontade

De trabalhar
Visitar o mar
Ver o luar
Na noite cantar

Até no carrapato que bebe o sangue
Do cão preguiçoso que no alpendre engane

O menino que não tem medo
A avó que acorda cedo

O passarinho que voa
A mocidade à toa
Um grito que entoa

Sua cancão no frio
Um belo banho de rio
Aquele beijo tardio

Uma tarde de futebol
Uma pescaria de anzol
Subir até o farol

Que brilha sua luz

Seguir o que nos conduz

Ir onde manda o momento
Passear em cima do jumento
Honrar pai e mãe
No fim do dia um bãnhe

Pra relaxar do trabalho
Tomar um bom chá de alho

Pra dormir bem
Acordar bem também

E ver que o mundo é bom

Até onde o bom chegue
Deitar à tarde na rede

Escrever quando chega a noitinha
Dormir com você de conchinha

Pra depois fazer uma família
E pra poder trocar a pilha
Do pequeno que veio dos dois

Deixar pensar pra depois

Sentir que tudo é passageiro
Viver a vida ligeiro
Correr e chegar em primeiro
Brincar e ser bagunceiro

Relembrar que o passado existiu
E que nele se algo sentiu

Olhar sempre para frente
Queimar-se na panela quente

Que tanta comida proveu
E quem dela não comeu
Te digo:
Em Liberdade não viveu.

Petro.

Fortaleza, 03/03/09

quinta-feira, 26 de março de 2009

sonho de retalhos



teço sonhos como colcha de retalhos,
enquanto a cega e soberana do castelo
reza o terço santificado, que a redime dos prazeres solitários
que desfruta cheia de culpa,
naquelas noites em que sonha ser puta, pela ausência de um grande amor...
curo as chagas de um amor mal acabado,
costurando a pele com fios de cabelos dourados que se espalham no meu colchão.
eu posso voar e mesmo que eu queira não posso parar,
começo a subir e sinto prazer em cair do meu sonho no teu telhado,
e você descobrir que desejo você quando estou ao teu lado...
acordo assustada, os dentes cerrados, o corpo molhado, o travesseiro jogado,
eu olho pra esquerda e não tem ninguém do meu lado.
ajeito a calcinha, o lençol revirado me sinto sozinha, te sinto no passado...
eu sei que sonhos e encontros nunca são em vão...
mas gostar, eu gosto das coisas
por pessoas, eu sinto tesão...

(sheyladecastilho°

ANTROPOFAGISMO

Eu, sem ser antropófago,
já saboreei muita gente por aí.
Minhas preferências são os esbeltos
violônicos corpos femininos: a mulher.
Ah! Se a humanidade fosse toda antropófoga
como eu teria o prazer de ser devorado
em um banquete ou bacanal de lindas garotas
sexys, histéricas, eróticas
e eu, em cima de uma mesa qualquer totalmente nu.
Assado ou cozido.
Recheado de cebolas, tomates e farofas.
Enquanto Odete espetava um dos meus esverdeados olhos
que outrora foram profanos,
Judite arrancava minha língua e mastigava furiosamente.
Depois Maria Helena
pegava uma faquinha de mesa e cortava
delicadamente meu pênis ereto e dizia entre-dentes:
-Como é gostoso esse Mário Gomes.
*
Mario Gomes
(do livro Uma Violenta Orgia Universal)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Distorcido

O mar está calmo -
eu, estou calmo.

Esse mundo bravio -
também está calmo.

Como o momento vazio -
o ar está calmo.

Somos só eu e você,
meio num sem querer,
estarmos um com o outro.

Não nos amamos mais,
mas nos suportamos.

Da rua vêm silêncio,
nenhum ruído.

Talvez um corpo no chão,
prostituído.

Um cachorro late,
com sem seu osso
e às sete horas bate,
a hora do almoço.

Essa página não ficou
em branco.

Tanto estou negro,
que negro é meu pranto.

Sala vazia, quadros que
vêem.

Plantas inertes, voam
sem vento.

Serena uma breve lírica -
uma chuva de momento.

E aqui sozinho - eu penso:
"Não sei se aguento."

Porque tão banais, as
horas convêm.

Um tanto abismais,
pessoas não falam.

Deixam que a noite
e a morte - também negra,
façam o que sempre fazem,
às más línguas as calam.

E o poema, comprazem.

Petro.
17/03/09

sexta-feira, 13 de março de 2009

Para o Breve Momento

É de se esperar do outro
que não nos decepcione
ou, ao menos, um bom presságio
seje, amigo um adágio
para o breve momento
e que se estacione
na porta de nosso coração chocro
para fazer-nos um acalento

Palavras difíceis nos permeiam
algo nada, nem um pouco natural
mas que, no mais das vezes
soam como um conforto que precisamos
para o breve momento
fazermos um meio particular o geral
e entendermos as rezes
como parte que o rebanho aceitam
de modo que a ele olhamos

É mesmo verdade ou ousadia
que quando esperamos dos demais
mais do que estes podem nos dar
algo acima de suas capacidades
para o breve momento
estancado no mel das mocidades
a gritarem tudo o que podem gritar
pois que sempre querem mais e mais
dessa tarde que adolesce a poesia

Não pode-se correr por outro canto
é bem certo que precisamos envelhecer
vivendo a vida de seus pormenores
batalhando tudo, até mesmo o tédio
para o breve momento
em que se vê nenhum remédio
a não ser as dores menores
que fazem desse nosso entardecer
a bemvinda velhice de um espanto

Quando, por fim, entardecemos
vis, voláteis e já sem tanta roga
aceitando o que a idade aprova
vivendo do que há para acontecer
para o breve momento
esse que é a vida que se renova
no broto plantado no amanhecer
e que aos poucos aceitaremos
sem que outras novidades sem invento
impeçam os dados que o destino joga.

Pedro.

quinta-feira, 12 de março de 2009

versos nus em carne viva

desejo essa carne viva da vontade muita que me esfola a pele

me entrego a esse desatino que arranca o couro mas não cora a cara

aceito a tua recusa clara pros meus desvarios que te exponho em versos

mas renego o pudor imposto que me afasta ardida do abortado abraço

desfaço juras nunca feitas por falta de tempo ou talvez cansaço

te caço me sentindo a presa que se rende fácil ao que diz tua língua

me amasso nessa cama quente em que nada espero por querer demais

e me esfrego em versos indecentes excitando a noite e pedindo mais
(sheyladecastilho°
.

quarta-feira, 11 de março de 2009

NO COURO DA EMOÇÃO (ROUBANDO DAS V.V.)

É no couro ou não é ? é no couro !
É no couro ou não é ? é no couro !
É no couro ou não é ? é no couro !
É no couro ou não é ? é no couro !
Comadre sebastiana gosta de correr perigo
Quando o marido viaja ela sai com o primo rodrigo
Só volta quando o sol nasce mas diz que é só seu amigo
Este povo fala demais, preste atenção no que eu digo
Abra o olho sebastiana, veja lá o que vai fazer
Se seu marido souber o couro vai comer
Seu marcelino da venda adora a mulata joana
Por ela morre de amores e sonha levá-la pra cama
A patroa do marcelino pediu conselho á cigana
E soube da traição do marido, pois coração de mulher
Não se enganaMarcelino estava no crime e a patroa apareceu
Foi a maior confusão e o couro comeu
Você não quer cozinhar, você só quer vida mansa
Não quer lavar, nem passar e nem cuidar das crianças
Tô cansado de trabalhar enquanto você só descansa
Não sei pra que fui me casar, vou empenhar a aliança
Se conversa não resolve, a cinta vai resolver
Levanta já desta cama, mulher, que o couro vai comer
Maria rita, menina linda, tu nunca me dá bola
Eu sou feio e pobre e você a rainha da escola
Quase perco o controle quando tu passa e rebola
Meu destino é ser mesmo sozinho pois meu xaveco nãoCola
Maria rita, me dê uma chance e você vai se surpreender
Se te pego na quebrada, menina, o couro vai comer...
(eita fastio danado...)

Conto de uma Linha só

A vida tem um fim.

Pedro.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Minha paixão é feia



Um dia eu te falei - lave-me de ti ...
Porque não podia suportar a intensidade do que já sentia e queimava como fogo,
as saudades antes mesmo de que voce tivesse partido, depois de uma noite de amor louco, horas velando o teu corpo nu ... quanto tempo para deixar de sentir esse fogo? quanto tempo ardendo, derretendo palavras, sufocando em lágrimas a emoção mãe, o nosso destino cruel, a nossa irremediável solidão? um passo, um afago, um apelo, máscaras, súplicas, promessas vãs ... vê que que o mundo dá voltas e o fogo segue queimando, agora ansiando por outro corpo, mas é a mesma entidade! não posso suportá-lo, mas o desejo mais que nada. não posso aceitá-lo, mas ele não pede licença. é um exército de mercenários. sim, eu os reconheço porque sou feita da mesma matéria, partimos todos da mesma origem. sou capaz de invadir um coração e despedaçá-lo só para sentir o gosto de sangue. e ela, a minha alma predatória sofre, incapaz de dar liberdade, incapaz de conceder o benefício da dúvida, ou como voce disse - incapaz de tolerar a covardia. porque ela, a minha alma predatória, deseja o mundo inteiro para si. minha paixão não conhece limites. minha paixão ou mata, ou morre! minha paixão é feia. mas meu coração me salva.
*
Anete Antunes

Retalho

Aqui, de onde estou, vejo um piano, uma televisão ligada, um aparelho de telefone; e, em um ambiente separado, o que posso sentir é uma mesa que trás à lembrança a antiga mesa de jantar na casa em que morei alguns dias atrás, em uma visita à cidade de Recife, quando em uma época de férias, viajei para lá e assistia a um ambiente tão só e parecido com este, aqui eu levo o peso da pena a descrever também uma varanda que vejo, para onde vou fumar um cigarro em algumas horas do dia, quando o acalento da tarde mo traz alguma calma e fico esperando sempre que entre alguém pela porta da frente e que destrua esse sentimento só o qual traz a saudade das pessoas que amo e que agora encontram-se tão grande distância, para vencer, o que trás a melancolia e desocupando o lugar onde estou, fico a querer vaguear. Porém, sinto que está tão longe esse sentimento de paz, esse o qual tão desejado é e quanto à esses sentimentos, que são derrubados um a um como o jogo do dominó, uma certeza de que outros se seguiriam e agora tornariam um figurativo de tristeza, algo com o qual nada se resume, tudo se estampa a uma bandeira da felicidade e da humildade, dois sentimentos tão sacros e ao mesmo tempo tão decepcionantes se não cultivados da maneira correta. Tudo canta ao meu redor, pássaros piam como sábiás e o barulho do mar lá fora frio que estava lembrando-me todas as minhas cores na infância e na boa adolescência e tudo me faz alegre nesse momento exorbitante e bem lembrado por minhas boas gentes que conheci em toda minha vida, em todo o meu alento, onde revivi e vivo ainda respaldando em meus sonhos e à sorte desse meu caminho.

Pedtro.

impulso virtual



durante os lentos dias em que aguardo para fazer do meu corpo tua moradia, amadureço em minhas entranhas estranhas estratégias, para que não mais de mim teus olhos partam...
sim, e se enfim você viesse eu te seduziria, para que lento e tenro o meu corpo adentrasse e que lá no fundo você encontrasse o cheiro das estrelas que mais brilhassem, te convidaria para que viajasse pelo céu estrelado da minha boca, louca e rouca.
e também te pediria, para que mergulhasse nas reservas de água doce que armazenei em mim, enquanto o tempo passava e eu me guardava pro teu corpo viril e exato.
e nesse poço que possuo dentro, quero que saiba que guardo também o lamento, pelas horas baldias que se arrastam sedentas...
faminta e insone pela casa vazia, me embriago de vontade, vinho e poesia... transbordando a minha feminilidade escarlatizada, que estampa de desejo os sonhados e acordados beijos e que afloram, defloram e florescem o meu instinto animal, me tornando compulsiva e ardente nessa febre irracional...
e sorrio ao perceber, que poética e uivante te alicio discreta e publicamente, irrefreavelmente passional, platonicamente seduzida nas entrelinhas melódicas, metafóricas e inquietas, desse uni-verso virtual.


(sheyladecastilho°

.

domingo, 8 de março de 2009

Por falta de gentileza

J. A., 42, chamemo-o de João, mendigo a pouco tempo, depois que foi perdendo tudo aos poucos. Andava, faminto pelas ruas noturnas de uma grande cidade qualquer.

Caía uma chuva fina, mas ele não se importava, para ele, era um pouco de limpeza, na verdade, isso só formaria uma lama, pois estava muito sujo, sem falar da roupa que depois iria feder mais, e ainda poderia pegar um resfriado. Chegou num viaduto, encontrou uma senhora, também mendiga, com seus quatro filhos, logicamente também mendigos. Ela, preparando um feijão numa panela preta de tão velha, os meninos, tentando dormir para enganar a fome.

João se aproxima e pede um pouco do feijão que ela cozinhava. Então que ela responde.

- Meu sinhô, eu inté gostaria d'ajudar, mas dessa vez num posso, não. Né por falta de comida ou de gentileza, não, pois o que tem aqui dá pra nós e pro sinhô. Mas o pobrema é que eu botei veneno no comê. A uns vinte dia atrás fomo expulsos da favela eu, os minino e o disgramado do pai deles. Desde então moramo nesse viaduto. Aí o filho da puta do Manel num guentou a humilhação e semana passada ele num se empindurou nesse viaduto? Poisé, enlaçou uma corda no pescoço, com a outra ponta no poste e pulou, meu sinhô. Na frente dos minino! Tu imagina, meu sinhô! Deixá mulé e minino pra criá e se matar na frente de todo mundo! Daí nós tamo pedindo esmola pra comê, mas num tou guentando mais não. Isso é vida de cão, meu sinhô! Vou me embora também, e vou carregar meus bacurim junto. Cê me entende, né, sinhô?

João a olhou, olhou para os garotos enfileirados, depois olhou para os poucos carros que passavam ali, desceu uma lágrima de seu rosto e pensou: “o que é que estou fazendo aqui mesmo?” e depois disse.

- Dona, se a senhora num se importa, acho que vou pegar carona também. Dá mesmo pra dividir pra mais um?



CA Ribeiro Neto

sexta-feira, 6 de março de 2009

O bispo ou o diabo que me carregue?

Senhor José Cardoso Sobrinho, vulgarmente chamado de Dom José. Quisera fosse o senhor um Don Juan, conhecedor e admirador inconteste da mulher e da beleza feminina. Decerto que o senhor não passa de um homem vestido de poderes e vaidades e, por isso, fiz questão de deixá-lo mais leve, sem o peso dos encargos “divinos” de julgar a humanidade. Nós, sociedade, poderiamos também excomungá-lo. Sim, temos esse poder, pois já foi o tempo em que o pensamento dogmatizado reinava absoluto nessa terra, muitas vezes, esquecida até por Deus.

Contudo, não vou agir tal e qual o senhor fez com a mãe da menina de 9 (nove) anos e com os médicos que cumpriram com a lei, nossa lei e, certemente que é a lei de Deus também, pois somos sua imagem e semelhança, em estado constante de evolução. Hoje, as igrejas começam a reconhecer a importância do trabalho de Darwin, também rejeitado pela sua Igreja. Não a minha. São muitas as moradas...

O pedófilo que abusava da tal menina, desde os 6 (seis) anos de idade, não foi criticado pelo senhor, tampouco expulso do seu “paraíso” torto.

Não vou agir como senhor porque sou um homem que, mesmo em casos extremos como o seu, respeita a diversidade, o direito à opiniões diversas. Porém, não me calo. Também me sinto legítimo representante de Deus para me pronunciar, livremente, graças, não ao senhor. Não vou condená-lo, não me compete isso, nem mesmo desejo ser juiz de nada. Sou um cidadão que transita pelo mundo e bem conhece dos caminhos e descaminhos da vida.

Quero apenas dizer que a vida daqueles que o senhor condenou em nada vai mudar. Continuarão a amparar e cuidar da saúde de seus filhos, toda a sociedade. Falo de uma Saúde maior, a saúde que compreende o direito de uma menina a permanecer menina, como é, e não seria mais, caso tivesse continuado a sua gravidez. Talvez que até morresse, não tinha um corpo desenvolvido o bastante para ser mãe, ainda não.

Espero, sinceramente, que, um dia, essa menina, quando mulher, se dê esse direito de ser amada e de dar à luz à um filho ou filha. Não tenho idéia do tamanho do trauma que um ato desses possar causar em um ser humano.

Pergunto-me como alguém poderá voltar a confiar nos homens quando o “pai” (que significa padre), que devia protegê-la e ama-la, era o seu torturador, capaz de destruir a vida da própria filha. Também me pergunto como acreditar em um padre (que significa pai), que se diz mais conhecedor e mais próximo do Pai-Padre maior e universal, que excomunga pessoas que salvam vidas, salvaguardando a infãncia de nossos filhos.

Outras igrejas, muitas delas interessadas apenas em usurpar seus fiéis, acolhem todo ser humano: assassinos, ladrões, prostitutas, etc. Será que elas, as outras igrejas, entendem que todos temos o direito de nos regenerarmos, de aprender com os nossos erros e optarmos por um novo caminho, mais correto e equilibrado?

Sou batizado, catolico-apostólico-romano. Se o senhor conhecesse meus pecados, certamente também me condenaria, a começar pelo pecado de falar o que quero, melhor, o que penso. Tenho filhas. Uma delas tem cinco anos e quero deixar muito claro que faria exatamente a mesma coisa com minha menina, caso um terror desses viesse acometê-la - providenciaria a interrupção da gravidez, por que não dizer, o aborto. Penso que, desse modo, já estou, previamente, excomungado. E digo mais, faria isso, mesmo que fosse contra todas as leis. Nesse caso, estaria condenado sob todas as instâncias.

Pouco me importa, minha filha importa muito mais. Esse é um pecado do qual eu nunca me arrependeria. Serei queimado nos infernos? Que se assim seja. Ou seja, seja o que Deus quiser. Mas o que Ele quer? Não sei responder a esta pergunta. O senhor tem certeza que sabe?

Enquanto não chega o dia do juizo final, façamos um pacto: vamos nos esforçar para fazer desse mundo um mundo melhor de se viver. Vamos oferecer o perdão antecipado, dado que somos todos falhos, e promover mais paz a esse lugar, concomitantemente, lindo e baldio. E, sendo assim, não o julgarei, cada cabeça é uma senteça, mas nem por isso devemos perder a cabeça e sair execrando as pessoas do alto de nossa estupidez, como se fossemos Deuses, sendo, em verdade, apenas humanos, demasiado humanos. Amém.
Aluísio Martins

ars longa vita brevis

um dia, a vida nos mostra o quanto ela pode ser realmente breve e por isso a façamos leve, a façamos faceira, para que se viva plenamente a vida intensa e verdadeira...
um dia o tempo que nos marca a pele, nos aparece de manhã na frente do espelho e não se pode combatê-lo com corretivos e batom vermelho... não se deve camuflar aquilo que vivemos por inteiro. pois vivendo, acumulamos experiências e alegrias e também mágoas e marcas que produzem nódulos e nós na garganta, mas não podemos jamais perder a esperança, seja ela qual for...
é extremamente necessário acreditar no amor, na parceria e na comunhão, no livre arbítrio que temos nas mãos e saber dele, para semear coisas lindas no solo fértil de nossas conquistas e lá hastear a bandeira da vitória, sem jamais perder a humildade para que se possamos ser dignos de verdade e enxergar o mundo e as pessoas com olhos otimistas, pois o corpo que por hora habitamos é frágil e nos arma ciladas... é um peso que a alma carrega e que um dia vira pó e nada...
portanto, vamos nos olhar mais profundo dentro dos olhos, admirar pássaros em revoada, amar com o corpo e também com a alma, acreditar nas fantasias e saborear o lirismo que nos toma, quando vivemos a poesia sagrada de todo dia...
por que a arte é longa mas a vida, breve.


(sheyladecastilho°

quinta-feira, 5 de março de 2009

Pedro e o Lobo

Capitulo 1
São dias quentes de presumida vitória:
É o fogo, é o fogo!
Pedro adentra o vilarejo com seu velho/novo drama:
É o Lobo, é o Lobo!
O Lobo aceita o assédio das labaredas
Dá seus pulos, duvida, ostenta
Veste seu melhor Cordeiro de Gala
e desaparece na fumaça
Puffffffffffffffffff
*
Net
Aqui, qualquer semelhança será mera coincidência!!

terça-feira, 3 de março de 2009

Imanência

Por um instante, cessou o vento. Agora podia ouvir claramente os sons da noite. A canção dos grilos, o coaxar dos sapos, a dança muda das árvores, o luzir das estrelas. Eu permanecia imóvel e com a respiração suspensa. Sim, agora era possível distinguir as desejadas vozes, do murmúrio das águas e trazê-las como em sonho para mais perto, reencontrar-me no sentido das frases soltas - como folhas ao vento, mas à sua total revelia. Sabia que ele logo retornaria e levaria consigo folhas e frases, misturando tudo novamente. Era necessário apenas um piscar de olhos para alcançar a verdade. Mas me perdia na maravilha sensorial, na tentativa de processar os códigos da natureza sem me dissolver no todo, sem ascender à reintegração, correndo assim o risco de desaparecer ... O vento viria e me devolveria à consciência do corpo, e ao esquecimento.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Por que nascer?

Você pediu pra nascer?
Há nesse mundo pedido mais pedante?
Exigir separar-se daquele umbilical barbante,
o qual estigmatiza dela o poder?
Sim, e toma por satisfeita, que de mim
és tu a parte que menos falta a mim conhecer!
Nascer? Não, eu não pedi para nascer.
Nem muito menos sei de onde vim! Quem dirá?
Você!? Ele?! Os outros!!
É de flagelo que gente mo tornei!
Tocada foste por uma semente minha, tu não
te de mim se esconde, nunca! Nem agora, nem
Nunca!
Ovni do céu de seu espaço que faz-se somar
a todos os demais espaços entre nós dois:
Sim! Somos só nós dois.
E mo dói o que tiras e roubas de mim todos
os dias:
- Vai! No momento estou bem só.
- Vái! Não sou eu quem vai te mostrar o caminho da vida.
Vai só, vai, mãe...
Esse brado já foi gralha de graúna
negra e essa luta é a de todos os homens.
Por que nascer!?
Para conhecer-se a si mesmo ou aos
outros e após todo esse esforço, por fim descansar
e morrer em paz?
É o suficiente para você, mãe?
É!?
É!?
Para que muito ainda tenha a dizer, e
acusar-vos de malcriação minha.
Isso! Fui mal-criado.
Maleducado, como diria meu avô.
Mas não estou só: tenho vocês e só peço
que me ouçam e nada mais.

Fortaleza

Pedro.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

amanhecências...


uma poesia roxa e noturna,

desabrochada em versos semeados pela madrugada.

e a poesia também flutua, entre beijos vermelhos e saudades azuis.

ela navega no mais fundo profundo de olhos coloridos

e no mais lento e sedento de corpos despidos

e a poesia aflora, de dentro da alma e da boca pra fora.

exala o aroma da bruma que invade e fica

e me dá o prazer de um prazer que necessito e quero.

e quente e fértil, a poesia sempre amanhece derramada em meus lençóis,

boêmia e fecundada pelas frestas frescas, dos primeiros raios desse mesmo sol...

(sheyladecastilho°
..
.
(poesia aquariana, nascida em 28 de fevereiro de 2009 às 04:59)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Galo na Cabeça

Uma roleta e mexem-se os animaizinhos

Giro de barulho engraçado tem a tal roleta

Um bandinho de meninos animaizinhos

e o bicheiro comanda AS MACETAS

Eu jogo sempre no Galo

Jogo uma sorte de vez

Outros espantam o azar

E quando a roleta pára

Meu dinheiro só serve pro sorvete

Ao parecer um jogo de sorte

Mas o Galo tem a cabeça marcada

Toda vez que jogo no Galo

E aumentam minhas fichas

A lograr êxito e deixar as pessoas irem

E ver a roletar girar, e girar...

Pedro.

...

vem de mansinho
adornando meu caminho
suspiro
carinho
cheirinho
vem de paixão
adentrando de vez meu coração
arrebata
arremata
entoa cada palavra
como talha no couro da emoção...
MASA

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Perdi meu tempo

Todo tempo que passa ao momento
vindo da mente, o intuito:
perdi meu tempo.

Todo o espaço que não ocupei
nem com o pensamento:
perdi meu tempo.

Tudo que deixei de ser sem
nem mesmo um intento:
perdi meu tempo.

Todos os copos virados de cana
sem um sequer elemento:
perdi meu tempo.

Essas vezes em que tudo passa
e eu nem vendo:
perdi meu tempo.

Todas essas mulheres trôpegas
esquentando seus assentos:
perdi meu tempo.

A política discutida e a flor
ao balanço do vento:
perdi meu tempo.

Tem também esse fazer passageiro
que é passatempo:
perdi meu tempo.

A fórmula da juventude eterna,
no imortal relento:
perdi meu tempo.

A felicidade procurada em caminhos
e caminhos ao relento:
perdi meu tempo.

Aquela poesia saltimbanca e
bela saída em soluços que acalento:
perdi meu tempo.

Louco a todo instante saindo de
mim para encontrar um quanto,
um pouco, cabido nessa vida ao vento.

Pedro.

18/02/09

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Reclamação

Pô, meu...

Reclamam aí o meu livro...

Que livro?

E esse blog?

Mas temo mesmo não mo tornar nunca um escritor,

então agradeço a cobrança,

quero é escrever pra encher a pança.

Não todos nós?

Fortaleza, 18 de fevereiro de 2009

Pedro.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Política, Arte e Mulheres

Evair costumava sempre após a caminhada vespertina esticar até um supermercado para comprar algumas especiarias e cozinhar quando em casa chegava. Isso era um rito diário: caminhava cinco ou seis quilômetros em volta de uma praça e, encontro marcado tinha com, quando não o mercado, a vendinha de Seu Ortega e lá fazia as comprinhas para quando, no início da noite, chegasse em seu modesto apartamento de solteiro, preparasse uma comidinha, da qual desfrutava com deleite e tinha por única reclamação as louças para lavar.
Vida mesquinha! Pensavam os que acompanhavam com o olhar o dia à dia do Evair. E o olhavam cheios de miseicórdia n'alma, não desejando nunca aquilo para si ou para ninguém. O Evair era tão apagado que muitos desejavam à si a morte ante levar vida daquela. Solteiro, sozinho e sem amigos, amante da culinária e só.
O Evair, como sofre, hem? Se perguntavam quando era alvo de conversas alheias. Nenhum: - Mas que exemplo! de homens ou: - Mas que homem! de mulheres. Assim era o Evair.

Pedro.

2009

Carta para Carlos

Entro em cena. Apenas sete horas da manhã. Margeio o limiar da ignorância. Margem inóspita? Veja, dessas plantas dávamos aos coelhinhos na infância. Veja, ainda tenho minhas lembranças. E às palavras, que são a um mesmo tempo - açoite e acalanto: meu rio de degelo.C. procurou-me. Andava buscando-me. Sei. Sabia. Sentia.Partirás em breve. Porque me procuravas? Para que partilhemos nossas frustrações? Não creio. Ou decisões de futuro? Não sei mesmo o que pensar ... causa-me estranheza. Talvez quisesses encenar uma rendição, um apertar de mãos, um "não te abandono, apenas procuro meus caminhos". Pensarás mesmo dessa forma? Talvez quisesses assim minhas palavras: "Sim, vá, não o quero mais, por outra lado, te quero bem, vá, tem e terá a minha benção e a minha eterna amizade". E a dor? Não reside aí, nessa tua pele tão alva. Mas (tu) buscava-me trajado com teus vermelhos óbvios, sim, o eterno vermelho de tua sedução nórdica, com teus longos pêlos loiros, franjas e frutos do meu desejo por tantos anos. Quantos? Não sei ... E porque? Não posso esquecer o texto sobre julgamentos enviado por um novo e querido amigo. É sábio, dá linha aos pensamentos como a uma pipa ao vento. Lido ao contrário: a tranqüilidade do não-saber. A tranqüilidade de saber apenas o que importa. Aquilo que pousa pena perdida (ou jogada?) suavemente a teus pés. Ou que escancara verdades ocultas nas letras das musicas aleatórias e erros negados - frutos de omissão e culpa, proferidos (ainda assim ocultos)através de outras bocas. Só tu saberás. E sempre haverá um perdão.Mas vá lá, perde-te de mim. Não há volta. Há quanto tempo sei que não há volta? Há muito tempo. Desde que aportamos nesta cidade fantasma. Desde então? Desde antes. Minha busca pela verdade partiu muito antes, num raro trem nas madrugadas do Butantã. E saiba que saiu apenas com as roupas do corpo e um bilhete de Ida. E o que encenava eu, antes e agora? Uma grande farsa? Um segredo. Escondia-o de mim, de ti, e de todos. Dei-lhe asas, alimento, meus carinhos. Dei-lhe uma cara, um nome, um sobrenome, um vulto e uma epígrafe. Dei-lhe sombra, mitos. Gritos estridentes na montanha. Espinhos. Uma cama. Muita calma. Levanta-se pela manhã arrastando as asas, resmungão, remelas nos olhos, um bebê esse meu segredo. Nasceu há tempos. E ninguém soube.
Anete

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Palhaço

O palhaço diverte para
esconder o que verte
sem que possamos ver
pois é da sina do palhaço
rir para não morrer.

Pedro

09/02/09

CONFUS(M)ÃO

9/2/9

pintas em profusão
pelas minhas mãos
pintas a confusão
pelas suas mãos
pelas pintas profusas
pintam as mãos em confusão...


MASA

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Serei Poeta

Se é certo que poesia
corre no sangue e dói
é tambem uma verdade
do poeta o ser herói
pois que não apenas escreve
suas dores ou sentidos
mas como a um mal repele
maléficos sentimentos contidos

Essa é a luta a que se propõe
e que dista e muito do que dele pensam
pintar a folha à sangue
ser frio quando os nervos esquentam

Tudo isso é de parecer difícil
mas essa é a grande diferença
que para escrever o que pensa
é mister apenas o artifício
claro que inspirado, o poeta
serve-se da rima que o completa
e que dá sentido ao que diz
usando-se (por vezes) de palavras vis

Então quando o objeto está claro
só resta esperar do traço o serviço
pois sou esse tipo de escritor raro
que vê na folha uma espécie de sobreaviso
algo que vai logo dizendo: - Deixa disso
o que você almeja é um caniço!
Ou algo que no mais te tome o tempo
pois esse negócio de escrever
além de não estar com nada
e dizerem preferir pena à espada
é coisa de gente burra, jumento.

Mas, serei , como no título, poeta
e se escreverem: - Esse não presta.
subirei no banco da rua e do alto do meu orgulho
declararei que a poesia é só
pra quem em si já deu mergulho.

Pedro

04/02/09

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Desembargo

Consegui meu atestado
de loucura.

O que me trouxe à tal estado
é início de ventura;

essa a qual dediquei tanto
tempo e envergadura.

Não (é verdade) sem espanto,
ansiedade e amargura.

O passado ainda em mim mora
e é grande sua estatura.

Só que sem esses momentos de outrora
minha voz era obscura;

agora, de tanto malhar a pena
agora ela me atura.

Parece que o negócio agora engrena
e eu: uma gravura.

Pedro

05/02/09

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ONDE?


5/2/9


onde foi que escrevi teu nome?
no meu peito rasgado na carne?
onde foi que entalhei teu beijo?
na minha boca manchada de vontade?
onde estou quando não estou em você?
no vazio da suave lembrança?
não tenho respostas pros sentimentos
mas todas as perguntas que aplacam meu tormento
de te amar demais...
de te querer pra sempre...
é desse encanto que nasce meu riso
nesse sorriso que dormem meus sonhos
nesse cabelo que faço meu ninho
nesse ninho que embalo meu canto
canto ao mundo:
TE AMO!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Tenor do Trenó

Soube do nosso claro e pouco
Natal a comemoração

Séculos do magro e louco
Natal a salvação

Seremos juntos a pá que
constrói o faturamento

Aqui eu pontos e já virgulas
soltei ao vento

O jogo sujo das prateleiras
observadas como por bichos

Sãos e salvos de adornadeiras
que se vidradas consomem o lixo.

Pedro

24/12/08

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Marina

Como por tanta dor poderia eu
A dor transmiti-la do jeito que doeu?
Se só pensar em ti sinto pavor
Um medo de nunca ter-te perto
Que é tal qual certeza não darmos
[certo.

Aí olho que os dias passam devagar
Sem que eu deixe - um momento sequer
imaginar seu novo semblante, menina:
[mulher.

Perco a imaginação, esse meu bem maior
e fico fraco, esperando de ti a dó
e que me cure do peito essa ansiedade
essa vontae louca de ir-me, de ver na
[cidade

Aquilo tudo que nunca se apagou
Aquele fogo teu em que teu amado
[afogou

Para falar de ti, Marina
é mister não só escrever

É ver pra crer.

Tudo se resume a esse triste quadro:
um homem triste, sem sua moça ao lado.

"Ora, mas se esse quadro já não é velho..."
Dirão os teus demais pretendentes
"pois se assim esse louco vê em ti o Belo
também nós somos dele mais que afluentes."

(eu te digo, e isso é sério)

Podes ter qualquer um desse hemisfério
Procuro que te seja bom um amor áureo
Esse que é meu, esse amor platônico
que quer te descasar do caso anônimo.

Mas ainda é cedo e eu não sei
Onde, meu Deus, onde é que eu errei?

E agora, Marina
Tu és do mundo
Saltou de mim
E tudo

Tudo

Tudo

é não passar por palavras o que sinto
e não mo julgues pois eu não minto
fostes e serás para sempre
o maior amor que não tive.

Pedro.
02/02/09

SIM

dentro dos meus braços, onde tudo é mais amasso
dentro dos meus braços, o calor se faz suave
dentro dos meus braços, os seus e seus enlaços
dentro dos meus braços, sua boca em meu percalço
dentro dos meus braços, o sono e o os sonhos, fácil.
dentro dos meus braços.
seu lar.


MASA

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Talvezes

O Cara

*

Talvez não tenho ido para me redimir.
(Talvez tenha ido para te condenar)

Talvez tenha ido para te redimir.
(Talvez tenha ido para me condenar)
Talvez tenha ido para me redimir.
(Talvez não tenha ido para te condenar)
Talvez tenha ido para me condenar.
(Talvez tenha ido para te condenar)
Talvez tenha ido para me redimir.
(Talvez tenha ido para te redimir)
Sei que (eu) fui porque precisava ir,
para que não seguisse "indo",
para que não seguisse pensando como seria

se tivesse ido
e para te redimir.
Sei que fui porque você precisava que que eu fosse,
para que não seguisse voltando,
para que não seguisse pensando como seria

se tivesse voltado,
e para que me redimisse.
Os desdobramentos disso tem a ver com o realmente somos.
É estranho que sejamos estranhos.
Nunca fui um anjo.
Mas também não sou um demônio.
Se não me concede o perdão, tem mais a ver consigo do que comigo?
Se não me concede o perdão, é porque não nos redimimos afinal?
Se não me concede o perdão, é porque ficamos no mesmo ponto?
Se não me concede o perdão, é porque ainda não é capaz disso?
Mas não creio mais em questões deixadas ao sol para que desidratem
e possam ser guardadas em potes como tomates secos,
passíveis de reidratação,
dolorosamente temperáveis,
dolorosamente saborosas.
Senti na pele a nostalgia do meu feito.
Senti na pele a importancia do meu feito.
Senti na carne, nos ossos, na alma.
Senti no peso dos anos.
Senti na respiração suspensa.
Senti em todos os meus esforços anteriores.
Senti do estado precário da sua casa.
Senti na atração do rio.
Senti! Senti! Senti!
E te senti um tanto perdido também.
Como posso passar diante dessa cena e dizer-te "apenas":
"Ah, quão bonito foi!"
ou
"Ah, como vai o seu dia hoje?"
ou
"Ah, como está cálido o tempo."
Essa não sou eu. Essa não sou mais eu. Essa nunca fui, embora tenha tentado.
E essa eu não quero ser.
Não quero mais esconder o sol,
nem com a sua sombra,
nem com a minha,
nem com a de ninguém.
Não vou mentir que a partir de hoje minha vida mudou.
Não mudou.
Não vou mentir quanto à origem dos meus sentimentos,
quanto à violência das minhas impressões
(a imagem no espelho pode ser muito feia!)
Mas não perdi a guerra!!! E vou ganhá-la.
E não é você o meu inimigo (caramba!)
Quisera fosse um amigo.
Ah! E não tenho medo de lágrimas.
Vão lavando as escadas para a passagem do que está por nascer.

*

Anete Antunes