segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Onde Ouvi Outros

Porque eu sei
Sou e provei
Anteriormente
O exemplo terei

Soube o meu ser
De construir um
Belo enternecer
De certo, comum

Goma e uma travessa
Provei essa destilação
E ao ontem, atravessa
Onde ouvi os outros, são.

Pedro B. Costa

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

Alzheimer

Onde foi que eu esqueci
de ser eu mesmo?

Será que não lembrar
é realejo?

Posso saber onde foi
parar o beijo?

Eu pude esquecer até
o ensejo

E a paciência necessária
de ser um pouco o que
minha memória esqueceu

Até aquele passeio
assistencial que você
me deu

Virou poeira do tempo
Feito esse múrmuro
momento

A levar daqui a lembrança
em movimento

É daqui pra frente,
e essa é a vantagem,
francamente como
a solidão, esquecer-te
e não precisar
mais da saudade que
tudo agora se
desfaz

E o meu gênio outrora
eloquaz, resguardou o que
era para já

Como um de sumiço chá
e esse mêdo se vai
só, enquanto fico
em observar esse
instante único sobrado
de uma vida inteira
de trabalho

Mas sou mais feliz assim
e essa é minha confissão,
pois em comparação aos demais
sinto-me até mais capaz

Pois o que vive somente o
agora, não dorme e só
acorda para o bom das
cousas; estipula o plano
de um segundo e se
esquece até do mundo

Veja você também os
problemas, eu só
possuo esse endema. Outros
preocupam-se demais
com o passado e futuro
ao passo em que eu
sou já um fruto mais
maduro, sou esse fio
de navalha e corto
quando quero, pois
momento algum eu
espero para fazer
tudo aquilo que sempre
quis e venero.

Petrecostal

20/12/2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Monólogo

Há um círculo
onde estou
veja você
o meu íntimo
é não ser
o que sou

Há um vínculo
entre mim e
mim mesmo
há um cerco
há um cerco
assim vi

Vejo ainda
olhos são
não só visão
mas pensamento
a todo momento
toda a vida

Se desfaz
atenção se
sobra à
essa obra
esse chão
se desfaz

Sobrou eu
mas não só
na cabeça
dá como nó
esclareça
essa turveza

Essa escuridão
faz-me ver
como um claro
detalhado e
tem a ver
com solidão

Não sou não
o que eu penso
sou só bom senso
vejo a razão
entornada feito
entretenimento

Há uma voz
fala comigo
de pouco a pouco
um tanto isso
um sobreaviso
há uma voz

Maior talvez
mais bela seja
que passageira
tal como dor
tem a certeza
maior talvez

Que tudo isso
sirva de condição
para mim, senão
a outros tais
tão quebradiços
são os carnavais.

Petrecostal.

06/12/2009