quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Reu do Rio

Assumi que sou um navegante dos ribeiriços em acodir a si
riscos e desatinos; a primeiriços de que torna-me no que vi.
Suspenso por entre um matagal alto, esqueço do que falo e salto para
triste olhar dispenso.
Ao que perdi meu fio da visão, vejo o que vi ao longe, numa enevoada
casa de monge atravessar os que dito um pedi.
à outra margem, soçobrando peixes, desses que deixes por ti levarem
livre na estiagem.
Oi para o que passa, com o rio embassa, eriça e sente formigar da
divisa que chega ao encontrar com o oceano quente.
Tudo o que vejo é escaldar a verdadeira chegada do alvorecer na certa
esteira parecer, aeon e pincel e ensejo.
Para o rio atravessar, conta-se quantas são as tantas mãos as quais
remam e se despedem mais que se perdem no desaguão.
E, tudo isso é infinito, Deus que os pôs à nossa vista, cousa antiga
e tão bonito.
Tudo, então que é, se é para o rio, uma mulher -- a chamo ré. Mas como
sou homem, meu abdome é só o cio para parir um rio do que ter fé.
Sou réu do rio, e não tardio a descobrir o que ele é.

Petro

Fortaleza, 11/09/08

Um comentário:

aluisio martins disse...

Pedro, Petro
O que você está fazendo aqui, rapaz? Você tem estar em toda parte. No Brasil todo, em toda livraria que se preze e que não se livraria de um talento como o seu.
Repito Chico: "Vai meu irmão, pega esse avião..."
Abs