quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dia útil



Era uma vez, numa linda tarde de verão, um homem muito trabalhador que ao retornar de sua labuta na grande cidade, tomou um refrescante banho, sentou-se em confortável assento e se pôs a imaginar...

O pragmático

Enfim , dever cumprido. Fiz parte da grande máquina. Servi de engrenagem fluídica e, por vezes, motriz ao rumo necessário. Deito com jus em noite serena. Boa noite querida e beijo-lhe a testa, pois, amanhã, o dever, certamente, me chamará.

O matemático

Foram quase trezentos quilômetros percorridos em média velocidade onde o termo é bem medido pela vista macroscópica das possibilidades. Na metrópole descendente os fatos contam-se em parábolas. Provavelmente, duas mil pessoas dedicarão duas horas ao infinito discurso. Duas horas. Uma fração diante do peso das vinte e quatro que não durarão, de certo, mais de cinco décadas. E olhe lá! Dei-me ao limite. Arquiteto fórmulas precisas a me verter em cones e vértices.

O político

Mesmo em meio aos obstáculos, levei alento aos famintos de sonhos. Lutei com bravura e mérito para que as promessas se cumpram solenemente. Ainda houve aquela pobre criança que levei ao colo. Fui às lágrimas porque luzes me ofuscavam. Esse mundo tanto precisa de mim. Será que ouvi palmas?

O idealista

Ah! Como o ser humano carece de alimento no sentido mais holístico que se possa pensar. E pensar que se investíssemos na educação, formal e complementar, haveríamos de reparar a vertigem da ganância humana. Vejo algum bom exemplo passando na telinha. Com meio dedo (de prosa) o presidente jurou acabar com a fome. Já está na hora de jantar porque saco vazio não se põe de pé. A luta continua!

O idiota

Olha só, quanta menininha gostosa. Só pitel... Eu aqui, de carrão, vim da Aldeota e vou me dar bem. Como será que está meu cabelo?


O poeta

Quanta desventura. Mundo miserável esse. Não passo de um covarde. Vou criar vergonha na cara e largar tudo. Vou ajudar essa gente. Vou escrever para o jornal: Somos tantos quais flores atoladas no asfalto movediço. Pavimentação? Melhor genocídio. O rolo compressor une o homem à lama. Endurecido. Mudo. As Rosas? Essas falam: quem exala – e mal – é o canalha constitucional . Vida, bela bosta! Vou tomar mais uma cachaça (... e esquecer de tudo. As dores do mundo...).

Eu

Cuidado! Um rato...


Aluisio Martins

Um comentário:

Claudinha Bártholo disse...

Aluísio Poeta querido...
gostei do idealista e do EU...
:) espero que esteja tudo bem com você príncipe das palavras...
BEIJOS
da claudinha que não é mais Claudinha, 1,72m!
heheheh