
Fora acometido do mal de antever. Uma chaga que chega antecipada ao acontecido. De forma que não se dava mais ao trabalho de vivências. Surgiu-lhe um pequeno cachorro à porta: tinha nos olhos uma carta de adoção convicente. Como se apiedar do que se vai morto no dia 15 de agosto de 2010, à noite, após três dias imóvel e sangrando, com grunidos que mais pareciam miados de um gato que voz canídea? Ao que muitos poderiam julgar como dádiva, a luz de tudo que passa ou virá, ele se insatisfazia, se não tomava sustos, menos recebia surpresas. Lá vinha a moça, linda que parecia, bem podia nutrir sentimentos e astrologias. Mas para que? Seria tão somente o comprimento do cumprimento e resignações excludentes, até que só sobre o amor ao que não foi. Projeção sobre pano que se desgasta à olhos vistos. Velocidade não-tempo ultrapassa a barreira do silêncio. Daí que deteriora o diálogo antes mesmo da carne putrefata de senão. Esse é o preço do olho gordo de definhar simplicidade. Tudo o que estava lhe jazia há tempos. Dar, então, sem saber no que vai dar. Porém sabia e doia saber-se iluminado em meio ao breu, cheio de si. Orgulho besta por pequeno saber. Vaidade lhe prova que a estima está mais longe. Quanto mais brio, mais por um fio, o entendimento. Não, disso estava curado além do necessário. Tanto além que o remédio virou veneno e morrerá por um excesso de saúde que não nos cabe. E mesmo que coubesse, ninguém, cá embaixo do sol, merece. Bem sabe do dia da sua partida e o diagnóstico-causa: falta e não unicamente de ar. Rarefeito sopro de apagar velas em celebração dos presentes e ausentes. Queria mesmo que algo lhe aturdisse. Num determinado dia, planejou contrair um vírus dado como fatal, passou dias sem alimento, obrigou-se de proibido e foi ter com ele, o vírus. Nada. Sua imunidade estava aumentada por desistências ou nenhuma comoção-empolgação que causa desritmia e febre dos pulsos. A moléstia já tinha vacina guardada na aorta. Suspeitou que sua idade fôra mal contada. Sentia a juventude de quem ultrapassou três séculos. Quando se vai por um século, no primeiro, ainda se está frágil por desconhecimentos e esforço vão de ciências. Que pesadelo a imortalidade. Elas vão e voltam e quanto mais se vão, mais se voltam estupidificadas. Nada aprendem? Como reter uma imagem quando esta é sua imimiga mor? Dom de mau gosto. Melhor se capaz fosse de congelamentos. Bem podia ter um poder de Medusa evoluída. Pare! Todavia não seja estático porque é estúpido tudo que se imobiliza ou brinca de inerte como um boneco de neve, por exemplo. Desistiu também das fotografias e das letras. Ambas eram carcomidas pelas traças e os traços irreconhecíveis que restavam desenhavam monstruosidades. Olha, essa é minha amada ou será um onitorrinco? No verso deveria estar escrito “sorrindo na sacada”, mas lia-se, agora, “so...indo...n...ada”. Típico de initeligências. Ainda chamam de enigmas. Mistérios são coisas de quem vive de mortes alheias - um peixe endurecido na pedra, um feixe que rasgou o céu. Animais ou anjos sem ânimas, tanto faz. Tudo se ex-vai. Iria e não foi miléssimo do que planejava. Estar acordado era a pior forma de se dormir porque mais enfadonho, mais visível. Não fosse o tamanho escrúpulo estaria rico vendendo prognósticos infalíveis. Do mesmo modo, levaria todos ao suicídio. Quem quer saber? Melhor que creiam na eternidade do momento. Ele se compraz em espreitar os casais em juras. Felizes para “sempre” . Amém. (Aluísio Martins)
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