sábado, 6 de dezembro de 2008

Avulto


Sombria a ilação quando sóbria em demasia e, de sobra, sem valia. Que me prove a lucidez ser mais nítida que o rompante dos loucos que proferem lógicas que não ousariam se loucos não fossem, lógico. Tênue e mínima essa casa onde habita o sentimento que o aperto é um inquilino gritante, mas no fundo, conforme, na forma que se sente e é justo que sinta repetidamente como um pós-sentimento de visita inconveniente. Chegou na hora exata. Bem vinda é a tua presença en-san-decida na ladeira morro abaixo. Nada posso te oferecer além do prazer de não ter o que servir. Tome assento no desconforto do homem que deseja. Quando quiser partir que se vá sem demora nem cerimônias. Nenhuma fiz de recebimentos. Não será por isso que direi adeus, até logo e que não seja breve. Vá e volte a esse monumento que não se edifica de pesares, mas de pensar em não pensar. Meditação precisa de ruído, um rádio narrando a marcação do ferro em brasa, o brasão do divino. Mantras ao alcance: um dílúvio errando de alvo, lançado por Bush ou o diabo que carregue; uma célula truncada no tronco pungente que se doa a toda a gente para te antecipar; um homem santo que, num surto de pânico, fundou uma igreja e se farta de cordeiros na ceia, na cela, no céu que invetou para não que tu não caiba, muito possivelmente, ainda os devotos fazem votos de um dízimo, uma pequena quantia de manutenção da fornalha. Seja lá o que queira e seja como bem ou mal quiser. De eixos sei dos trilhos que desgostam de tudo vivo e gostam muito de quem se desgosta da vida entre uma estação e outra. Para tanto fora feito o direito, para entortar. Que direito tenho de não te querer? Sou digno com a pena riscando desprezo de dejavu porque te amo mito na caverna, grifada na palidez da parede da alma. Estou ciente que te criei e crí ser o ser que criei. É tão incrível a realidade quanto fantasmas que desacredito existirem. Nunca me puxaram o pé, tenho essa prova. E olha que não foram poucos os que prometeram me molestar. Só sei de ti, nome de mulher e mulher graças que é, decerto que sim. Teu nome coagula o vento da correria e me estaciona no dia que virá. Teu nome é saudade, mas não da que houve, mas da que vela noites enormes no meu corpo quando me ponho ereto e deitado com outras imaginadas, viciadas de dormências e sono de meio-dia, de meia vida. Barriga cheia não é remédio. Quando muito, alívio, mas pesa tanto. O segredo é deixar algum espaço no ôco para a sobrevivência e manutenção da necessária e sábia insaciabilidade. Desminto o estômago com enganos granulados, contados à conta-gotas. O mesmo faço com todo orgão, sou tântrico por excelência. Claro que me excedo. De outra maneira não me saberia o que não sou. Assim sendo, talvez que você me surja magicamente. Careço ultimamente de toda ilusão que não ludibrie, mas apenas confirme futilmente o erro para que eu firme acordo pacífico com mentiras e verdades – uma coisa só, acredita? (Aluísio Martins)

3 comentários:

sociologiaparaprincipiantes disse...

Gostei e vou voltar. Parabéns.

Petro disse...

Gostei muito Aluísiomartins.

Parabéns, cara!

Lia disse...

Idem idem, comentários acima...rsrs.
Tb vou voltar!
bjo