Penso o que digo
meio sem abrigo
vejo no semblante
estudo o vento
sinto a estante
reparo no alento
escrevo doravante
onde cair em si
já é delirante
espero por mim
esqueço o instante
e bravio a seguir
ergo o semblante
esse de existir
sem ter ou por quê
apenas me ser
já é o bastante.
Petro.
24/09/2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
O Fim do Dia
Um pequeno prazer no fim do dia
traz ao derramado ser, como poderia
dizer, duma voz qualquer, este seria
aquele revolver final, o qual me faria
seu mais prelo astral, pequena alegria.
Dos tantos desfazeres, algum afazer
causando entropia, dos mais, uma qualquer
cousa da vida, feito um malmequer na
velha polida agonia, que serveria outra
vez, qual voz à vez, duma melancolia.
Quando já é tarde, e sem mais alarde,
crescer é bem duro, tudo muito
mais obscuro, daí é que vem, esse
ar noturno, aonde penetra, aviso
de uma letra, no fim do dia:
bonito e seguro.
Petro
07/09/2010
traz ao derramado ser, como poderia
dizer, duma voz qualquer, este seria
aquele revolver final, o qual me faria
seu mais prelo astral, pequena alegria.
Dos tantos desfazeres, algum afazer
causando entropia, dos mais, uma qualquer
cousa da vida, feito um malmequer na
velha polida agonia, que serveria outra
vez, qual voz à vez, duma melancolia.
Quando já é tarde, e sem mais alarde,
crescer é bem duro, tudo muito
mais obscuro, daí é que vem, esse
ar noturno, aonde penetra, aviso
de uma letra, no fim do dia:
bonito e seguro.
Petro
07/09/2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
A Minha Poesia
A minha poesia
serve uma Pátria
essa só minha
quando juro tamanha dor
esticar seu bolor
sobre quem a caminha
Ao podar dessa via
a tudo assitia
quem já mais mantinha
e jamais sem ardor
essa minha dor
não é mais minha
sou seu professor
Então doutros prantos
desvelos, aos tantos
comem-me a flor
porque onde ia
lá longe já via
cair a tardinha
sem frio ou calor
E dessa sombrinha
fiz minha mania
essa de se pôr
feito o sol que caía
com a ventania
do fim da vadia
tarde da vinha
dum bom licor
E sem mais o amor
que tudo continha
poeta que sou
fiz à cercania
vontade tardia
e da erva-daninha
fiz-me ardor
e feito sozinha
a minha poesia
se fez e sangrou.
Petrecostal
19/08/2010
serve uma Pátria
essa só minha
quando juro tamanha dor
esticar seu bolor
sobre quem a caminha
Ao podar dessa via
a tudo assitia
quem já mais mantinha
e jamais sem ardor
essa minha dor
não é mais minha
sou seu professor
Então doutros prantos
desvelos, aos tantos
comem-me a flor
porque onde ia
lá longe já via
cair a tardinha
sem frio ou calor
E dessa sombrinha
fiz minha mania
essa de se pôr
feito o sol que caía
com a ventania
do fim da vadia
tarde da vinha
dum bom licor
E sem mais o amor
que tudo continha
poeta que sou
fiz à cercania
vontade tardia
e da erva-daninha
fiz-me ardor
e feito sozinha
a minha poesia
se fez e sangrou.
Petrecostal
19/08/2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Aos que me ficam pra Trás
Aos que me ficam pra trás
os anéis os deixam
Seu pensar feito outro atrai
mesmo os que queixam,
Para não ir longe demais
prometo uma volta
breve tempo que levarei assaz
e sem mais trota
estarei de novo aos seus olhares
quando menos esperarem
serei eu loquaz.
E tudo o que tramam de mim
haverão de existir, sim!
Que outrora já fui até mais
e do que contam, assino
não mais de que necessito algo que jaz
por mim não o minto.
Aos que me ficam pra trás
um advertência:
- Não sigam meus passos jamais;
só minha eloquência.
Petrecostal
10/08/2010
os anéis os deixam
Seu pensar feito outro atrai
mesmo os que queixam,
Para não ir longe demais
prometo uma volta
breve tempo que levarei assaz
e sem mais trota
estarei de novo aos seus olhares
quando menos esperarem
serei eu loquaz.
E tudo o que tramam de mim
haverão de existir, sim!
Que outrora já fui até mais
e do que contam, assino
não mais de que necessito algo que jaz
por mim não o minto.
Aos que me ficam pra trás
um advertência:
- Não sigam meus passos jamais;
só minha eloquência.
Petrecostal
10/08/2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
O Trombadinha
Cá estou. Em meu canto fico e observo o movimento dos transeuntes; tudo muito rápido. Para agir não há tempo para pensar. Aquele. Outro ali mais adiante. Todos vítimas em potencial. O que é trombar, o que é roubar ou furtar? É esperar atento. Em olhos rápidos o meu momento é uma procura, pelo exato instante em que a presa solta no meio da multidão abre espaço entre os demais; mal sabe a sua irrelevância. É observado, estudado minuciosamente em seu passo apressado; todos podem ser um e um já é o suficiente, ao menos por um tempo. Enquanto espero outra chance de agir.
No canto é onde moro. Resido aqui nessa esquina, sou esta esquina e assim o torno ao redor dela, olhares passam e alguns encontram com o meu. Esse é o instante. Essa é a hora. Apresso o passo, e o coração acelera. Adrenalina. Tudo pode dar errado, posso ser pego desta vez. Mas não penso nisso, só penso em agir, o andar da vítima engrena. Viu a mim. Preciso antecipar-me a ela. E assim o faço. Ela percebe, apressa-se para fugir. Se correr, acabou. Ela precisa sentir-se segura. Esse é o paradoxo. A sua segurança em mim é a minha segurança em minha ação.
Rápido. É agora!
Uma carteira ou uma bolsa. O susto e o seu medo é meu triunfo, estava segura, não está mais; está sozinha na multidão. Eu, eu estou longe já. O roubo nas minhas mãos. Glória. Penso na glória, mas penso em nada quando vejo outra vítima em potencial. Cá estou. Em meu canto fico...
Petrecostal
13/07/2010
No canto é onde moro. Resido aqui nessa esquina, sou esta esquina e assim o torno ao redor dela, olhares passam e alguns encontram com o meu. Esse é o instante. Essa é a hora. Apresso o passo, e o coração acelera. Adrenalina. Tudo pode dar errado, posso ser pego desta vez. Mas não penso nisso, só penso em agir, o andar da vítima engrena. Viu a mim. Preciso antecipar-me a ela. E assim o faço. Ela percebe, apressa-se para fugir. Se correr, acabou. Ela precisa sentir-se segura. Esse é o paradoxo. A sua segurança em mim é a minha segurança em minha ação.
Rápido. É agora!
Uma carteira ou uma bolsa. O susto e o seu medo é meu triunfo, estava segura, não está mais; está sozinha na multidão. Eu, eu estou longe já. O roubo nas minhas mãos. Glória. Penso na glória, mas penso em nada quando vejo outra vítima em potencial. Cá estou. Em meu canto fico...
Petrecostal
13/07/2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Culpado de Todos os Crimes
Ó! Pudera eu, poeta
remover de tudo
o cabo que surdo
chicoteia e acerta
causando dor e dó
na carne faz um nó
da ferida o grito
em minh'alma aflita
por certo da fita
que formou do atrito
tão forte esse corte
dói em cada segundo
um doer profundo
que se pede a morte
e se isso passa
vem mais desgraça
posso ver tudo vindo
quando a dor, sumindo
anuncia a chegada
duma outra lapada
e feito no limbo
o passaporte carimbo
para mais catarse
não deixo de ser
mesmo sem querer
um pobre sem base
quanto mais sofro
menos vejo fim
sinto pena de mim
e cheiro de enxofro
já nas profundezas
tudo cai em si
então olham quem ri
e o pior já vem
vejo que o pior
é bastante para só
enxergar em mim bem
culpado de tudo e
acabo mudo.
Petrecostal.
remover de tudo
o cabo que surdo
chicoteia e acerta
causando dor e dó
na carne faz um nó
da ferida o grito
em minh'alma aflita
por certo da fita
que formou do atrito
tão forte esse corte
dói em cada segundo
um doer profundo
que se pede a morte
e se isso passa
vem mais desgraça
posso ver tudo vindo
quando a dor, sumindo
anuncia a chegada
duma outra lapada
e feito no limbo
o passaporte carimbo
para mais catarse
não deixo de ser
mesmo sem querer
um pobre sem base
quanto mais sofro
menos vejo fim
sinto pena de mim
e cheiro de enxofro
já nas profundezas
tudo cai em si
então olham quem ri
e o pior já vem
vejo que o pior
é bastante para só
enxergar em mim bem
culpado de tudo e
acabo mudo.
Petrecostal.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
À José Saramago
Aqui, um breve adeus. Um tributo simples a uma alma complexa. Um pensador de seu nome, de seu tamanho e largura não cabe em simples adeus, mas precisaria dum livro inteiro para medir sua genialidade, seu bravio linguajar e toda sua importância, não devolvo aqui o que passou-me ele por seus livros, obras caladas, infestadas de problemáticas vigentes, e, vindo duma alma inocente, qual criança que aprendeu a falar em uma língua só sua, um estilo só seu e de uma fantasia que beira o real próximo que se encontra, não. Apenas relato o que conheci dessa grande personalidade. José Saramago, patrício de alma portuguesa, ateu e dito comunista, grande nome, grande pessoa, grande escritor, se algum dia entendi o que foi dito por ti, espero nesse breve ínterim conseguir transmití-lo, com humildade e muito carinho no coração que se eleva para achar-se mais próximo de ti.
Ao grande escritor português,
Petrecostal.
Ao grande escritor português,
Petrecostal.
sábado, 19 de junho de 2010
Poema à boca fechada

Foto:kevin rolly
Poema à boca fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
[José Saramago], in "Os Poemas Possíveis"
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O Segurança
Tarefas árduas têm certas pessoas. Dia desses conheci algumas meninas de boa vida que só saíam de casa na presença de seu segurança. Eram do tipo pequeno burguesas - haveria a qualquer um adivinhar; no entanto, demorei um pouco para concluir que o rapaz ao seu lado (na ocasiäo estava a menina como sozinha apenas acompanhada desse aí) ser ou ser parecido como seu namorado; vestia-se de roupas da moda e em nada era diferente de um conjuge qualquer. Demorei para notar a mocinha quase nada falar, tipo dominada pelo medo. Aí, entäo fazia seu papel o homem da segurança, de tarefa incubida de protegê-la e näo permitir afronta nenhuma de quem quer que fôsse. Isso só notei quando tentava com ela algum contato visual à fim de intimar-me mais à garota que como à tantas da sua pouca idade, guardava um charme bonito e feiçöes de princesa de conto de fada. Foi quando enquanto falava apercebí-me de aquele moço do lado dela näo ser um namorado, mas alguém que estava ali para impedir dela ferir-se física e moralmente.
No entanto, como o fraco pela carne é grande, näo deixei de investir na menina e, mesmo recebendo cortadas fenomenais do segurança - às ameaças o tempo todo, por olhar ou expressäo corporal de sua massa muscular avantajada - voltava à conversa sempre com o intuito de conquistar a garota sem achar que aquilo fôsse dar em alguma cousa errada, e com uma cara de pau sempre minha costumeira, em tratando-se de conquistas, fui todo sorrisos e fala ferina; fui todo atrevimento e ouvidos; fui eu mesmo, Don Juan.
Ao perceber o rapaz fortitudo cada vez mais distante, empolguei-me e pulei para a cadeira ao lado da novinha e cheio de lábia, impus minha condiçäo de conquistador.
- Bom, sabia que te achei uma gracinha?
Suplantei da coragem a pergunta.
Até entäo tudo corria bem. Ela respondia favoravelmente à minha cantada, o que fazia-me mais arredio ainda, à ponto de experimentar à passagem carnal e tocar-lhe o rosto com minha mäo enternecida sobre a pele lisa como a de um bebê. A garotinha inclinou o rosto e sem muita defesa, permitiu o afago, isso me deu mais coragem ainda e fui aproximando o meu rosto dela. Os olhos entreolharam-se e quase ao selar dos lábios, veio-me a lembrança do outro que até agora näo manifestara-se de modo a impedir meu avanço e quase a beijando meus glóbulos oculares fatalmente encontraram-se com os dele. A situaçäo, como por mágica inverteu-se. Percebi que aqueles dois globos de contorno branco e íris castanhas mandavam-me um aviso prévio de que se eu continuasse, algo de muito ruim iria acontecer comigo; mais particularmente temi perder meus dentes da frente. Li isso na cara do segurança e meus olhos fitaram novamente a garota com os seus por sua vez fechados e a linda boquinha de torcida por um beijo sem precedentes, foi afastando-se da minha, que volvia lentamente ao notar o risco que seria ir até o fim.
Quando ela abriu os olhos, e viu que minha cara de tacho já ia longe recuada, e, depois ao olhar para o redor, viu tanta gente assistindo à cena, desprendeu-se ela mesma do pudor e beijou-se fortemente. Caindo nas graças da paixäo, compartilhamos o sentimento do primeiro beijo sob os olhares de todos que ali estavam, foi cousa bela de se ver. De outra vez que nos vimos, a moçoila apareceu sozinha, e eu näo pude deixar de perguntar pelo segurança, ao que disse ela tê-lo esquecido em casa. Fiquei agradecido de näo ter tido razáo para temer levar um soco dessa vez e fomos ficando e, à cada encontro, cada tanto mais íntimos; tanto foi que acabamos namorando. Saíamos de canto à canto da cidade para comer e beber e também íamos ao cinema e até uma vez assistimos a uma peça de teatro. Com o passar do tempo fui conhecendo sua família e seus amigos, tornamo-nos inseparáveis, com uma fortuna única para nós dois: o amor que sentíamos um pelo outro. Selávamos nossos encontros à noite com um sexo gostoso de fazer. O que ocorreu foi diminuindo até tornar-se a saída de casal em mero "cumprimento de tabela", como dizem no futebol quando o jogo já nada vale ao campeonato; passamos pela fase das discussöes ininterruptas e o namoro foi lentamente esfriando. Até que certa vez, quando saímos para comer fora, sentamos numa mesa e temos a surpresa de receber um camarada a apresentar-se um antigo colega de sala dela. Assutou-me minha posiçäo perante a conversa que os dois levavam. Parecia eu estar apenas em um aparte do todo; eles davam-se bem e, para defender minha mulher, e como também näo tinha muito para falar no momento, apenas deixava parecer ao estranho com comunicaçäo corporal mesmo (havia malhado uns dias de namoro à pedido dela) usando dos músculos para intimidar e, vez ou outra falando algo incompreensível.
Ao fim da conversa, o camarada resolveu que queria falar comigo e perguntou-me quem eu era, que estava curioso e tudo o mais. Troquei duas palavras com êle, e foi o suficiente para que fôsse criando coragem e aproximando-se de minha namorada. Assisti àquilo calado e até quanto pude me aguentei, mas quando partiu para beijá-la, fiz questäo de mostrá-lo que estava ali e ameaçei-o com os olhos, no que ele recuou. Mas já era tarde. Ela o beijou, eles apaixonaram-se dali pra frente só andariam juntos e namorariam; sairiam ao cinema e ao teatro e todas as noites fariam um sexo gostoso...
Petro
10/01/2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Do Diário de Petrecostal
Quando paro para pensar, de mim toma conta a loucura; o causo infinito de ser eu mesmo e o pêso que isso tem. Entao nao pensar, esquecer soluciona tudo e a calma noite poe-se como o agitado dia e, a tarde; princesa de Vênus anuncia que tardará desta vez mais a acontecer, entao vejo que mais um dia se foi e tal qual a deusa vespertina, tardarei eu mesmo a de novo mo ser.
Fortaleza 04/02/10
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Tudo ou Nada
Quantos não foram os filósofos
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando ambos são e serão sempre
a cousa mesma,
tanto é que primam por beleza
quanto saem das bocas
desses tais pensadores.
Quantos não foram os poetas
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando sempre encaixavam em
suas poesias
eles - tudo ou nada - em outras
palavras.
Quantos não foram os políticos
a pensarem sobre o tudo e o nada
quanto mais falaram
esse que é um tornou-se outro
pois políticos são tudo ou nada
Quantos líderes religiosos
pensaram sobre o tudo ou nada
pois para esses também
os dois confundem-se, Amém.
Quantos quanto eu, por estar aqui
falaram sobre o tudo ou nada
pois que não apostaram saberem
estes, onde um começa o outro acaba.
Petrecostal
16/11/2009
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando ambos são e serão sempre
a cousa mesma,
tanto é que primam por beleza
quanto saem das bocas
desses tais pensadores.
Quantos não foram os poetas
a pensarem sobre o tudo e o nada
quando sempre encaixavam em
suas poesias
eles - tudo ou nada - em outras
palavras.
Quantos não foram os políticos
a pensarem sobre o tudo e o nada
quanto mais falaram
esse que é um tornou-se outro
pois políticos são tudo ou nada
Quantos líderes religiosos
pensaram sobre o tudo ou nada
pois para esses também
os dois confundem-se, Amém.
Quantos quanto eu, por estar aqui
falaram sobre o tudo ou nada
pois que não apostaram saberem
estes, onde um começa o outro acaba.
Petrecostal
16/11/2009
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Onde Ouvi Outros
Porque eu sei
Sou e provei
Anteriormente
O exemplo terei
Soube o meu ser
De construir um
Belo enternecer
De certo, comum
Goma e uma travessa
Provei essa destilação
E ao ontem, atravessa
Onde ouvi os outros, são.
Pedro B. Costa
Sou e provei
Anteriormente
O exemplo terei
Soube o meu ser
De construir um
Belo enternecer
De certo, comum
Goma e uma travessa
Provei essa destilação
E ao ontem, atravessa
Onde ouvi os outros, são.
Pedro B. Costa
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Alzheimer
Onde foi que eu esqueci
de ser eu mesmo?
Será que não lembrar
é realejo?
Posso saber onde foi
parar o beijo?
Eu pude esquecer até
o ensejo
E a paciência necessária
de ser um pouco o que
minha memória esqueceu
Até aquele passeio
assistencial que você
me deu
Virou poeira do tempo
Feito esse múrmuro
momento
A levar daqui a lembrança
em movimento
É daqui pra frente,
e essa é a vantagem,
francamente como
a solidão, esquecer-te
e não precisar
mais da saudade que
tudo agora se
desfaz
E o meu gênio outrora
eloquaz, resguardou o que
era para já
Como um de sumiço chá
e esse mêdo se vai
só, enquanto fico
em observar esse
instante único sobrado
de uma vida inteira
de trabalho
Mas sou mais feliz assim
e essa é minha confissão,
pois em comparação aos demais
sinto-me até mais capaz
Pois o que vive somente o
agora, não dorme e só
acorda para o bom das
cousas; estipula o plano
de um segundo e se
esquece até do mundo
Veja você também os
problemas, eu só
possuo esse endema. Outros
preocupam-se demais
com o passado e futuro
ao passo em que eu
sou já um fruto mais
maduro, sou esse fio
de navalha e corto
quando quero, pois
momento algum eu
espero para fazer
tudo aquilo que sempre
quis e venero.
Petrecostal
20/12/2009
de ser eu mesmo?
Será que não lembrar
é realejo?
Posso saber onde foi
parar o beijo?
Eu pude esquecer até
o ensejo
E a paciência necessária
de ser um pouco o que
minha memória esqueceu
Até aquele passeio
assistencial que você
me deu
Virou poeira do tempo
Feito esse múrmuro
momento
A levar daqui a lembrança
em movimento
É daqui pra frente,
e essa é a vantagem,
francamente como
a solidão, esquecer-te
e não precisar
mais da saudade que
tudo agora se
desfaz
E o meu gênio outrora
eloquaz, resguardou o que
era para já
Como um de sumiço chá
e esse mêdo se vai
só, enquanto fico
em observar esse
instante único sobrado
de uma vida inteira
de trabalho
Mas sou mais feliz assim
e essa é minha confissão,
pois em comparação aos demais
sinto-me até mais capaz
Pois o que vive somente o
agora, não dorme e só
acorda para o bom das
cousas; estipula o plano
de um segundo e se
esquece até do mundo
Veja você também os
problemas, eu só
possuo esse endema. Outros
preocupam-se demais
com o passado e futuro
ao passo em que eu
sou já um fruto mais
maduro, sou esse fio
de navalha e corto
quando quero, pois
momento algum eu
espero para fazer
tudo aquilo que sempre
quis e venero.
Petrecostal
20/12/2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Monólogo
Há um círculo
onde estou
veja você
o meu íntimo
é não ser
o que sou
Há um vínculo
entre mim e
mim mesmo
há um cerco
há um cerco
assim vi
Vejo ainda
olhos são
não só visão
mas pensamento
a todo momento
toda a vida
Se desfaz
atenção se
sobra à
essa obra
esse chão
se desfaz
Sobrou eu
mas não só
na cabeça
dá como nó
esclareça
essa turveza
Essa escuridão
faz-me ver
como um claro
detalhado e
tem a ver
com solidão
Não sou não
o que eu penso
sou só bom senso
vejo a razão
entornada feito
entretenimento
Há uma voz
fala comigo
de pouco a pouco
um tanto isso
um sobreaviso
há uma voz
Maior talvez
mais bela seja
que passageira
tal como dor
tem a certeza
maior talvez
Que tudo isso
sirva de condição
para mim, senão
a outros tais
tão quebradiços
são os carnavais.
Petrecostal.
06/12/2009
onde estou
veja você
o meu íntimo
é não ser
o que sou
Há um vínculo
entre mim e
mim mesmo
há um cerco
há um cerco
assim vi
Vejo ainda
olhos são
não só visão
mas pensamento
a todo momento
toda a vida
Se desfaz
atenção se
sobra à
essa obra
esse chão
se desfaz
Sobrou eu
mas não só
na cabeça
dá como nó
esclareça
essa turveza
Essa escuridão
faz-me ver
como um claro
detalhado e
tem a ver
com solidão
Não sou não
o que eu penso
sou só bom senso
vejo a razão
entornada feito
entretenimento
Há uma voz
fala comigo
de pouco a pouco
um tanto isso
um sobreaviso
há uma voz
Maior talvez
mais bela seja
que passageira
tal como dor
tem a certeza
maior talvez
Que tudo isso
sirva de condição
para mim, senão
a outros tais
tão quebradiços
são os carnavais.
Petrecostal.
06/12/2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Boas Festas
Aproveito o momento para desejar Boas Festas para todo o pessoal que contribui no psil-ên-cio, que seja quebrado o silêncio e nossas vozes hajam ouvidos para elas, abraços acalentados,
Petrecostal;)
Petrecostal;)
domingo, 15 de novembro de 2009

hoje eu não quero o tédio embaçado na janela.
quero apenas a lembrança de um corpo lapidado
e o sal do suor melado e entranhado
nas indecências sussurradas por entre minhas pernas.
quero a memória da fúria de dentes no pescoço
e essa coisa de pele, de carne, de alma e de osso,
que termina em espasmos e estremece a calmaria
me afagando ofegante de prazer e poesia.
(sheyladecastilhoº
.
sábado, 14 de novembro de 2009
Quebrando a Cara
Era uma vez esse cara
de vez em vez]
quebrava a cara
a sua tez
tinha cor clara
tudo em três
copos virara
a embriaguês
desse cara
era cortês
cousa rara
Dizia ao mundo
o que sentia
um vagabundo
sem serventia
um sujismundo
sem garantia
Era perseguido
a todo instante
era atrevido
um diletante
cada aprendido
era um rompante
Um belo dia
desses claros de Sol
evanescia
em um atol
Acomoeteu-se
esse tal cara
ajoelhou-se
quebrou a cara
Ao ver no céu
uma luz clara
um escarcéu
atrás do cara
Arrependeu
tudo o que fês
observou
e deu adeus
pulou e aspirou
ainda um ar
um ar cortês
Se falou desse cara
ser não homem
mas um Deus.
Petrecostal.
de vez em vez]
quebrava a cara
a sua tez
tinha cor clara
tudo em três
copos virara
a embriaguês
desse cara
era cortês
cousa rara
Dizia ao mundo
o que sentia
um vagabundo
sem serventia
um sujismundo
sem garantia
Era perseguido
a todo instante
era atrevido
um diletante
cada aprendido
era um rompante
Um belo dia
desses claros de Sol
evanescia
em um atol
Acomoeteu-se
esse tal cara
ajoelhou-se
quebrou a cara
Ao ver no céu
uma luz clara
um escarcéu
atrás do cara
Arrependeu
tudo o que fês
observou
e deu adeus
pulou e aspirou
ainda um ar
um ar cortês
Se falou desse cara
ser não homem
mas um Deus.
Petrecostal.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Reunião de Condomínio
Passavam as 19:00hrs, Horácio sabia que dessa vez não tinha volta, havia prometido à mulher ir à tão adiada reunião de condomínio. Costumava nunca perder tempo com essas cousas, considerava um jeito de desperdiçar sua já limitada paciência. Mas hoje não tinha jeito. Fincara compromisso e, se faltasse, teria de dar explicações à patroa. Logo que chegou do trabalho deu-se por decidido. Teve até o cuidado de tomar um bom banho e colocar uma blusa de tecido que comprara recentemente e que estava mais novinha que as outras. Se era para fazer o negócio, queria fazer direito. A descida, no elevador, sentiu uma sensação estranha, a ansiedade fez seu coração bater mais rápido. Lembrou-se dos tempos de menino, quando tomava coragem para pedir ao pai e à mãe cousa lá que fôsse; uma permissão, talvez. A porta abriu-se e Horácio pôs-se para fora já a ouvir o rebuliço da reunião a começar. Notou várias caras estranhas, gente com quem nunca havia tido contato, outros já seus conhecidos quiseram passar a imagem de que nada havia com o que se preocupar. Foi entrando. Aos poucos acalmou-se e sentou-se em um lugar vago, entre duas mulheres, uma senhora mais velha e a outra uma moça não tão novinha também. Acomodou-se, deu um prumo na roupa e assistiu aos primeiros dez minutos de reunião no mais absoluto silêncio, apenas ouvindo. às vezes os moradores de seu condomínio reverberavam por todos os lados. Ao olhar seu redor, percebeu que todos ali conheciam-se, ele era o único novato. Um neófito. Esperava o melhor momento para falar, mas o instante em que decidia-se por intervir era sempre o mesmo do qual valia outro para dar sua opinião. Resolveu ficar calado, só prestando atenção e assim o tempo foi passando e outros falavam; discutiam sobre o andar em que vivia um jovem muito barulhento e destes sem preocupações para com o conglomerado que era o edifícil; falavam do aumento do consumo de energia elétrica ao dobro quase do do mês anterior; dos zeladores reclamões que pretendiam aumento em seus salários; do preço do cloro da piscina e dos valores e cifras todos relacionados ao porquê daquela reunião; e teve até alguém para lembrar da questão ambiental e reclamar em voz alta a coleta seletiva do lixo, afora o gasto com o resíduo usual.
Aconteceu que, Horácio foi ouvindo e esqueceu de prestar atenção de tanto que ouviu, as vozes passaram a serem ditas em um volume mais baixo, o seu olhar ao redor começou a ficar turvo e seu comportamento, o de uma pessoa sonolenta, e foi indo tanto que cochilou.
Ao abrir de olhos, Horácio logo percebeu todos ali presentes estarem voltados para seu corpo solto na cadeira de plástico que já quase de pernas quebradas, sustentava seu pêso jogado todo por força da gravidade contra o frágil material do qual era feita. O embaraço não pôde ser maior, e a primeira ação sua foi recompôr-se e sentar direito, logo ao mesmo tempo em que balbuciou certas palavras ininteligíveis, puxou do ar do local, pôs mui indistintamente as duas mãos entrelaçadas sobre a mêsa, e com um ar de forçada importância dizer:
- Sim. Por onde paramos?
As reações foram das mais diversas. Houve quem balançasse a cabeça em tom de desaprovação e até quem risse. Mas o fato é que a reunião continuou como se nada tivesse acontecido, as pautas foram fechadas, o caixa também, as pendências, adiadas e deram por finalizada a assembléia. No elevador com algumas pessoas, Horácio surpreendeu-se com o bom humor dos condôminos que até então desconhecia, o que , para êle , foi agradável. É claro. Teve vergonha. Mas esse sentimento foi substituído por uma inesperada afeição pela compaixão e paciência dos demais para consigo. Quando chegou em casa e contou à mulher, ambos riram muito e até fizeram um amor mais gostoso àquela noite. Desde então, não faltou a mais nenhuma reunião do condomínio, e algum tmepo mais tarde foi até mesmo votado cíndico, função que passou a exercer como um hobby paralelo ao seu trabalho natural, de arquiteto; desse modo foi vivendo e nunca esqueceu da primeira vez. Da sua primeira reunião de condomínio, de seu sono sem precedentes e de como tudo isso terminou.
Pedro.
Aconteceu que, Horácio foi ouvindo e esqueceu de prestar atenção de tanto que ouviu, as vozes passaram a serem ditas em um volume mais baixo, o seu olhar ao redor começou a ficar turvo e seu comportamento, o de uma pessoa sonolenta, e foi indo tanto que cochilou.
Ao abrir de olhos, Horácio logo percebeu todos ali presentes estarem voltados para seu corpo solto na cadeira de plástico que já quase de pernas quebradas, sustentava seu pêso jogado todo por força da gravidade contra o frágil material do qual era feita. O embaraço não pôde ser maior, e a primeira ação sua foi recompôr-se e sentar direito, logo ao mesmo tempo em que balbuciou certas palavras ininteligíveis, puxou do ar do local, pôs mui indistintamente as duas mãos entrelaçadas sobre a mêsa, e com um ar de forçada importância dizer:
- Sim. Por onde paramos?
As reações foram das mais diversas. Houve quem balançasse a cabeça em tom de desaprovação e até quem risse. Mas o fato é que a reunião continuou como se nada tivesse acontecido, as pautas foram fechadas, o caixa também, as pendências, adiadas e deram por finalizada a assembléia. No elevador com algumas pessoas, Horácio surpreendeu-se com o bom humor dos condôminos que até então desconhecia, o que , para êle , foi agradável. É claro. Teve vergonha. Mas esse sentimento foi substituído por uma inesperada afeição pela compaixão e paciência dos demais para consigo. Quando chegou em casa e contou à mulher, ambos riram muito e até fizeram um amor mais gostoso àquela noite. Desde então, não faltou a mais nenhuma reunião do condomínio, e algum tmepo mais tarde foi até mesmo votado cíndico, função que passou a exercer como um hobby paralelo ao seu trabalho natural, de arquiteto; desse modo foi vivendo e nunca esqueceu da primeira vez. Da sua primeira reunião de condomínio, de seu sono sem precedentes e de como tudo isso terminou.
Pedro.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Lua Nova >>>
A Viagem de Chihiro
Cheguei há pouco. Aqui estão os milhares de mundos paralelos, fechados entre/capas, letras observando-me - bichinhos de papel - acenando-me com seus títulos e temas sugestivos ora pertinentes, suas cores, imagens, símbolos, blocos, caixas de informações, receptáculos, conteúdos, vasos... Copas. Acaricio-os, folheio um e outro. O verdadeiro Graal, através desses mundos, vai encontrando um novo sentido para o Real. É necessário seguir despegandome. Racionalmente, porém. Ontem me presenteei com um pequeno / grande espaço - o prazer incomparável de gerir a vida. Minha vida! Com direito à varandinha para céu amplo, que se abre ao futuro imediato como este fundo marinho, bailinho de estrelas/música lenta, desfile de nuvens, ou mesmo no mau humor típico das noites em minha cidade... Seja bem-vinda você também, Lua Nova.
Eis o retorno à autentica Vontade de realizar, agregar, eleger, construir, criar, reformar, emagrecer, e amar, e amar, e amar-me.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Sal
Lá vai ela outra vez. Da cama pra tela, da tela pra cama. Nao sabe mais discernir entre uma e outra porque agora o sonho também tem teclado. Comer, só se for rapidinho - beber, tem que ser vinho. E tinto. Ou café. É café, que ele gosta tanto...E quando não está editando suas letras, viaja pelos espaços queridos. Ele disse...ela disse...ele disse...so nice...então, esse seu texto ela já conhecia, dear, deixou-a de 4 na época, com uma folha de sulfite nas mãos, tratando de convecer as amigas que algo transcendia. Hoje sabe que era verdade. Quantos julgaram-na uma maluca de pedra? Hoje sabe também que a dor é uma forma muito particular de prazer. Nada de sadomasoquismos, digo sim das lágrimas que misturam-se ao sangue, agregando-lhes viço e sal.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Jamais
É só que não dá mais
esse negócio de escolher
[jamais
foi tamanha dor ater
no peito o que quer tanto
[doer
Foi-se aquele tempo de brinquedo
aquele sentar-se ao do fogo o
[labaredo
essa paixão já desvela para
vozes que não me deixam em
[paz
jamais.
Parei para olhar sua cor
Então dei por mim ser tu uma
[flor
Agonizando pensei de você
ouvir o meu sentimento
[escrever.
Sorteei-te mas
ganhar-te, jamais.
É que não és pedra de bingo
nem de longe, é na realidade
o meu maior amor proibido
Vai longe o pensamento
traz para perto você
acontece você ser unguento
e talvez não terei-te jamais
Toco o meu peito que soa
um coração em prantos
e você é essa pessoa
que me afujenta os espantos.
Tão bonita tua voz quis que
[trouxesse
um pedido mais pedido em prece
despedido é tolher como toco
a minha ladainha
[jamais.
Pedtro
15/04/09
esse negócio de escolher
[jamais
foi tamanha dor ater
no peito o que quer tanto
[doer
Foi-se aquele tempo de brinquedo
aquele sentar-se ao do fogo o
[labaredo
essa paixão já desvela para
vozes que não me deixam em
[paz
jamais.
Parei para olhar sua cor
Então dei por mim ser tu uma
[flor
Agonizando pensei de você
ouvir o meu sentimento
[escrever.
Sorteei-te mas
ganhar-te, jamais.
É que não és pedra de bingo
nem de longe, é na realidade
o meu maior amor proibido
Vai longe o pensamento
traz para perto você
acontece você ser unguento
e talvez não terei-te jamais
Toco o meu peito que soa
um coração em prantos
e você é essa pessoa
que me afujenta os espantos.
Tão bonita tua voz quis que
[trouxesse
um pedido mais pedido em prece
despedido é tolher como toco
a minha ladainha
[jamais.
Pedtro
15/04/09
sábado, 3 de outubro de 2009
Soneto
Pequenas Conchas
De outra vez fui mar
Para ler nas conchas
Um futuro salutar:
Essa minha vida troncha.
Quis tanto quanto pude
Reverter os quadros da vida
De vez em quando pintei
Na parede as minhas leis.
Eureka! Gritei, bem alto
São, certo e em sobressalto
Quanto pude me repreender.
Feito morro de destarte
Ouriçado em minha arte
Ao que o sei, pequena; crê!
Petro.
30/09/09
De outra vez fui mar
Para ler nas conchas
Um futuro salutar:
Essa minha vida troncha.
Quis tanto quanto pude
Reverter os quadros da vida
De vez em quando pintei
Na parede as minhas leis.
Eureka! Gritei, bem alto
São, certo e em sobressalto
Quanto pude me repreender.
Feito morro de destarte
Ouriçado em minha arte
Ao que o sei, pequena; crê!
Petro.
30/09/09
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Afeganistão
Você chama e ele vem - feliz - como um cãozinho que reconhece um dono em potencial.
O coração decodifica seus símbolos e sinais.
A senha está correta, e ele entra.
Sentidos encrespam como uma vaga de ressaca contra a murada da avenida -Tudo se alaga.
Antes – a calmaria que antecede os grandes fenômenos da natureza: Como um lapso no respirar, o silêncio majestoso das grandes cadeias.
Contra as reiteradas investidas de nossos desejos terroristas, só encontramos abrigo nas solitárias cavernas do Afeganistão.
Mas isso também não dura. E saímos em busca de alimento.
Esse que sustenta a complexa estrutura de nossos anseios mais secretos, nossas esperanças, por vezes vãs.
Ao revê-lo, dá-se um colapso no sistema.
Ebulições de euforia, explosões de alegria, prostrações de tristeza.
A máquina reage, soa um alarme estridente.
Tempo apenas de abrigar-se do bombardeio de sensações confusas nas trincheiras abertas da alma.
Então, nosso coração é uma granada e o caminho a seguir está cheio de minas antigas, esquecidas desde a última guerra.
*
Anete Antunes
O coração decodifica seus símbolos e sinais.
A senha está correta, e ele entra.
Sentidos encrespam como uma vaga de ressaca contra a murada da avenida -Tudo se alaga.
Antes – a calmaria que antecede os grandes fenômenos da natureza: Como um lapso no respirar, o silêncio majestoso das grandes cadeias.
Contra as reiteradas investidas de nossos desejos terroristas, só encontramos abrigo nas solitárias cavernas do Afeganistão.
Mas isso também não dura. E saímos em busca de alimento.
Esse que sustenta a complexa estrutura de nossos anseios mais secretos, nossas esperanças, por vezes vãs.
Ao revê-lo, dá-se um colapso no sistema.
Ebulições de euforia, explosões de alegria, prostrações de tristeza.
A máquina reage, soa um alarme estridente.
Tempo apenas de abrigar-se do bombardeio de sensações confusas nas trincheiras abertas da alma.
Então, nosso coração é uma granada e o caminho a seguir está cheio de minas antigas, esquecidas desde a última guerra.
*
Anete Antunes
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
ouço minha fome
ouço minha fome devorando poemas...
de bourbon ou vinho barato, me veio o hálito de olhos marcados, bordados e expressos... que me roubam palavras como se a mim possuísse - palavras e corpo... me jogo no mundo do fundo profundo dos olhos marcados, atravessados, difusos e me confundo, mas eu que nunca fui santa, me permito ser infinita no corpo, me aprendendo em piercings e desatando nós na garganta.
afino a poesia das ruas como um bicho de cinco cabeças que evita pronomes de apego e posse e na falta de versos, apelo para acessos de tosse, tosse, tosse...
isso é tudo o que tenho e esse tudo me chega sem nome... e o que são as coisas antes de ter nome?
me embriagava de beijos, de vinho e versos sem rolha... baudelaires às avessas na busca da virtude que nos escolha e na encolha, os melhores desejos são aqueles dedicados nus e em carne viva, nossa carne crua que suspira...
sem resistência e entre palavras chulas no chão da sala, mordo a morte pra que alguém se sinta vivo ...
vivo agora voyeur imaginária de beijos que não são meus, chupo versos e estanco gemidos voltando pra casa lambendo giletes, sugando o vermelho do mel da minha língua dolorida, que não sei sugaram de mim enquanto eu ardia, ou se realmente nunca a ninguém pertenceu algum outro dia, numa outra vida.
mastigo a língua que lamberam palavras mal ditas, lançadas nas labaredas dançarinas de verdades benditas.
por isso eu peço que parta e que reparta e em outro desejo, espero que te escolha uma estrela boiante no céu e que nela te reflita a tua merecida musa, que te surja de onde vier, das ruas, dos becos, da memória ou das espumas...
e se numa nova cena, eu soltar o meu corpo e alguém pressentir, que nada foi viver perdido, ou também, que tudo que nunca fizemos tenha feito sentido, apenas iremos saber, do grito ecoante da morte mordida e do gosto do desgosto que guardava nas visceras, quando qualquer forma de pressentimento anunciava a partida.
(...) engulo meu silêncio.
e ainda ouço minha fome.
.
(sheyladecastilhoº
de bourbon ou vinho barato, me veio o hálito de olhos marcados, bordados e expressos... que me roubam palavras como se a mim possuísse - palavras e corpo... me jogo no mundo do fundo profundo dos olhos marcados, atravessados, difusos e me confundo, mas eu que nunca fui santa, me permito ser infinita no corpo, me aprendendo em piercings e desatando nós na garganta.
afino a poesia das ruas como um bicho de cinco cabeças que evita pronomes de apego e posse e na falta de versos, apelo para acessos de tosse, tosse, tosse...
isso é tudo o que tenho e esse tudo me chega sem nome... e o que são as coisas antes de ter nome?
me embriagava de beijos, de vinho e versos sem rolha... baudelaires às avessas na busca da virtude que nos escolha e na encolha, os melhores desejos são aqueles dedicados nus e em carne viva, nossa carne crua que suspira...
sem resistência e entre palavras chulas no chão da sala, mordo a morte pra que alguém se sinta vivo ...
vivo agora voyeur imaginária de beijos que não são meus, chupo versos e estanco gemidos voltando pra casa lambendo giletes, sugando o vermelho do mel da minha língua dolorida, que não sei sugaram de mim enquanto eu ardia, ou se realmente nunca a ninguém pertenceu algum outro dia, numa outra vida.
mastigo a língua que lamberam palavras mal ditas, lançadas nas labaredas dançarinas de verdades benditas.
por isso eu peço que parta e que reparta e em outro desejo, espero que te escolha uma estrela boiante no céu e que nela te reflita a tua merecida musa, que te surja de onde vier, das ruas, dos becos, da memória ou das espumas...
e se numa nova cena, eu soltar o meu corpo e alguém pressentir, que nada foi viver perdido, ou também, que tudo que nunca fizemos tenha feito sentido, apenas iremos saber, do grito ecoante da morte mordida e do gosto do desgosto que guardava nas visceras, quando qualquer forma de pressentimento anunciava a partida.
(...) engulo meu silêncio.
e ainda ouço minha fome.
.
(sheyladecastilhoº
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Quando à noite, em
inúmeros vapores, salta
à alma a dor;
Esse meu leigo penar
sobre o que ainda não
vivenciei,
Este, que vem me avisar
que não me distanciei
Do choro que salta ao
olhar, duro de se
sentir, mas franco em
admitir ser meu e de
mais ninguém
Esse sentimento contém
tudo o que experimentei,
e nele fica guardado
o futuro esplêndido
em esperança, algo
que diz que nem criança
diz um pouco de sonho
morador de minha Alma
e colhedor, e é tam-
bém, sempre foi e
será, o agradecimento
ao que mo traz essa
dor que também é
noite e escuridão preta
mas que brilha qual
o luar, leva-me lon-
ge o pensar e tudo
ao redor cria vida.
É que tudo não passa
da experiência artística.
Petro.
inúmeros vapores, salta
à alma a dor;
Esse meu leigo penar
sobre o que ainda não
vivenciei,
Este, que vem me avisar
que não me distanciei
Do choro que salta ao
olhar, duro de se
sentir, mas franco em
admitir ser meu e de
mais ninguém
Esse sentimento contém
tudo o que experimentei,
e nele fica guardado
o futuro esplêndido
em esperança, algo
que diz que nem criança
diz um pouco de sonho
morador de minha Alma
e colhedor, e é tam-
bém, sempre foi e
será, o agradecimento
ao que mo traz essa
dor que também é
noite e escuridão preta
mas que brilha qual
o luar, leva-me lon-
ge o pensar e tudo
ao redor cria vida.
É que tudo não passa
da experiência artística.
Petro.
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