segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Inverno2

fotografia de Joseph Barrak / AFP
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É quase um susto contido no gesto
Bem-vindo, porém
É quase um surto prescrito no sorriso
Benigno, como convém
É quase o muro intransponível do tempo
Berlim contesta, e Amém
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Anete Antunes

Sãos são os pecadores

Ah, mulher
Por que insiste em adiar a consumação à beira do rio?
Não me diga que cria ser manso o deitar-se no leito frio
Não te disse?
Não me diga
Se viver é tal tormenta, de que tal sorte seria a morte boa e lenta?
Tantos por tantas vezes se repetiram
É um fogo...
E outra maneira não há de se viver por amor
E outra receita não há de se padecer do mesmo ardor
Felizmente
Não digo feliz de contente
Mas enfim, o gôzo fremente
Desprovido da estúpida obrigação de pedir perdão pelo pecado da carne
Cometido com muito gosto, ainda que tarde
De onde tiraste a idéia louca que ao acometido pela loucura da paixão cabem penitências que não a própria fruição do prazer carnal?
O amante infernal
Rubro e devasso e asceta
Mas, acima de tudo, é um anjo o poeta
Deus lhe preserva louros e o louva pela tamanha bravura de se nomear sua imagem e semelhança
Quanta coragem abrubta
Para plantar flores em pedra bruta
Pouco importa se pouco se colhe do muito que se intenta
E se flores não colhe, se inventa
O poeta é artista da desdita
Tudo é proveito, colheita bendita
Daquela pobre pedra de areia dura faz escultura
Formas lindas de deleite
Ou seja,
Dá matéria à alma desnuda
Para desnudar também a sua
Em matéria de amor, o poeta é vida
Porque cria perfeito o que abjeto evita
Objeto antes sem vida - pó
Daí que Deus e poeta são um só.
Aluísio Martins

domingo, 23 de novembro de 2008

É medo!!!

Eu tinha feito um texto eXplanativo sobre meus amores. Ele criou asas própias, por mim absolutamente indesejaveis e escafedeu-se no Cosmos. Estou muito implicante com esse "X" do texto, era melhor mesmo que fosse "TETO" e que me protegesse dos eXtras. Reitero meu amor, desta feita com mais cuidado.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

desditos

A vida é boa
É imoral e engorda

Papa na língua é pecado
Quem tem crina não é gago

Valente só mente medo
Solidão é cangaço

Todo destino é capim
Antes disso
Estrume que boi não come.
Aluísio Martins

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nova Era: Um Mundo de Maldade

Era de se esperar que quando pessoas comuns subissem em árvores para pregar o que nunca foi Palavra, que algo insubstancial estivesse para acontecer. Aqueles que o negam não passam de cegos hipócritas; há que se levar em conta, no entanto, os verdadeiros cegos, estes que adquiriram ou mesmo nasceram com a doença; pois são incapazes de enxergar os clarões repentinos que clareiam a mais escura das noites, a noite de uma era. Enquanto muitos esperam a vinda do Salvador, do Messias, O Cristo, há um buraco no tempo a dizer não passar tudo isso de mera superstição. Os que vivem o dia a dia, o noite a noite; estes tem a capacidade de enxergar no tempo esse enorme espaço vazio, assemelhando-se a um buraco negro, sugando para dentro de si, não matéria -- ou a luz -- mas as esperanças de que uma vida melhor virá. Há ainda os que têm isso na consciência, mas que preferem deitar as costas numa espreguiçadeira e simplesmente não fazer nada a respeito, mas destes não é a culpa, afinal, há sempre o direito à liberdade de não fazer nada.

Petro.

domingo, 16 de novembro de 2008

saudade líquida

E diluido fico e tanto nesses caminhos molhados e escorregadios que não sei quem é mais menino - ele, o filho real ou eu, o fantasioso pai. As minhas meninas estão escondidas, as duas brincam. Uma está pendurada na árvore e balança as pernas que não param de crescer. Alcançarão algum chão? A outra vive no mar, longe e pequena que é, para avistá-la, preciso de toda minha fé. Mas vejo-a feliz, ouvindo nas conchas o meu desejo de amá-la.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Olhar Intimista

Eu gosto de escrever como quem conta uma história
Do longo padecer, crio o que me aponta a prosódia
Sem mesmo querer, professor eu me torno
Fazendo entender que o todo é um forno
De onde assar é obedecer o fogo e o baixo assado
que faz fumaça e o beber, um com outro em um caldo
se bebo enquanto se faz o comer, já se torna diferente
é bom como escrever no papael uma dor pungente
e assim acabo sem saber se gostei ou escrevi
muito pouco importa, pois o mais difícil esqueci
E, se não é esquecer a arte de levar a vida
para breve em breve aprendar, com cada ferida
sem também ser dileto viver a cousa esquecida.

Petro.

domingo, 9 de novembro de 2008

Incondicionágua

Se ...

Ter sido tua água

suor contido

deserta minh'alma

é agonia

Ter sido tua lágrima

torneira antiga

secreta enxurrada

é alegria

Ter sido tua chuva

tormenta distante

hoje sábio e fugaz

(creio)

é intervalo

Ter sido tua gota

eternizado instante

entre a origem

e o ralo

*

Anete Antunes

Indico:
http://anjobaldio.blogspot.com/

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Qualquer Coisa, me Chame!!!

Esse é um grito, um apelo, um confessionário de alguém que leu muito Nietzsche e comeu poucas mulheres (não que uma cousa implique em outra)
Estou gostando de ser apresentado assim a novos blogs, de onde vejo com estupor falarem de temas para mim tão descomplicados -- mulher, para os Nietzschianos, ou é falsa ou é deusa --, e, acho muito bonito tudo isso. Apenas peço-me que escrevam mais e publiquem mais, e interem minha pessoa dentro de tudo isso.
A iniciativa do Aluísio é nobre, e, precisamos -- com certeza -- de mais e mais poetas como ele; não importa o que digam os acadêmicos; Aluísio, você é grande!, eu é que vejo tudo isso com muito entusiasmo mas pouca empolgação.
E carrego esse descarrego com muita raiva, e, como o Mestre Cartola, "Levantei as mãos ao céu, blasfamei"

Retirem-me do incalco dos "grandes" poetas de pequenos textos e vamos nos elevar ao sincero despreparo da criança freudiana que é o adulto dentro de nós, esse ser que chora cada vez que depara-se com uma cousa com a qual não se identifica!

Abraços a todos!

Petro!!!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Se a Vida é, I love You

Você é a pedra que falta
para, suave e incalta
lavar meu jovem espírito
cansado de ser só escrito.

Você foi a carta de baralho
olhada e pensada de talho
simples e não cogitada
que derrubou minha jogada

E, você será meu amor
pois, se a vida é detentor
I love you em inglês e
te amo essa e outra vez.

Petro

sábado, 25 de outubro de 2008

Encontro de Palavras

Ontem sonhei com a palavra amor
E acordei pensando em computador
Telefonei para a palavra orgulho
E recebi um sinal mudo
Sai de casa com a palavra raiva
E dei de cara com uma antiga namorada

Conversamos com a palavra lembrança
Como se fossemos duas crianças
Almoçamos com a palavra saudade
Contando histórias de nossa mocidade
Me despedi da palavra desejo
Com um "tchau", um abraço e um beijo

Peguei o novo número de telefone
Do termo não me decepcione
E logo passei a me encontrar
Com o termo se reencontrar
Mas no nosso encontro seguinte
Encontrei a palavra rinite

Esperei qualquer palavra saudável
Até que ela me ligou, quando estava estável
E então marcamos de sair
Prum canto que precisa se bem-vestir
Sendo que disso eu não sabia
E fui para lá de chinelo, bermuda e agonia

Rindo, procuramos um outro canto
Um que tenha as palavras simples e encanto
Achamos numa esquina do Benfica
Um barzim de palavras paz e calmaria
Fomos atendidos por um garçon simpático
De palavras careca, alegre e extremamente pálido

Sei que agora estou muito feliz
Com a palavra... como é mesmo que se diz?
Não tou conseguindo identificar
Vou atrás da palavra pesquisar,
Começando pelo computador...
Lembrei! Acordei com a palavra amor!

C. A. Ribeiro Neto



* Pois bem, se me convidaram, eu aceito o convite!
www.caribeironeto.blogspot.com

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Boca Boa de Beijar

Levanta tua saia
dentro, sua laia
é de uma tralha
sou o que trabalha

Já no fim do dia
à tarde, poesia
clarifica e é sadia
como sua companhia

Outro beijo roubado
da sua boca muito boa
desse seu jeito enjoado

soletro no céu classudo
da tua boca, um beijo sexuado
que sobe e deixa-me mudo.

PETRO.

Fortaleza, 29/09/08

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Loira-burra


Alimenta-se de pequenas fatias prateadas e recheios ondulados e brilhantes, reflexivas. Engorda com dietéticas maldades. Rondou, com seus olhinhos semicerrados, o que circunvizinhava, e notou novidade inquilinando seu bairro. Desceu do carro uma garota, recatada, misteriosa, sentiu medo. Além da trigal cabeleira cascateando em laminas o par de olhos verdes, a boca miscigenada, carnuda e mulata, um tom ocre enviava sinais de sol e sal. Olhos de boa alma, gênio calmo. Morena logo convocou os habitantes para travar estratégias e tratou de encenar, cinicamente, sorrisos e rebolados. Perfilou Jonas, Marquinhos e Duda exigindo posturas e juras de amor em público. Beijos na boca, irrefutáveis. Pronto, essa loirinha metida a besta já deve saber quem manda por aqui. Ai dela se ousar se meter comigo. As amigas bajulavam e diziam-lhe que não haveria ninguém mais linda que ela e, aos poucos, sua ira foi dando lugar à gargalhada escandalosa, assustadora. Recepcionaram a menina em uníssono: loira-burra, loira-burra, loira-burra. A morena nunca perdia o rebolado, ao contrário, dominava-o excelentemente, acentuava-o quando rivais ou pretendentes por perto. Ainda que não pretendessem de fato, mero detalhe, todos a desejavam. Inclusive o Tio Alberto, solteirão convicto, irmão de sua mãe, quando lhe visitava, a seduzia. Tio olha os meus peitinhos, pega na minha bundinha, já sei beijar de língua, quer? Este bem que avisou a mana da formação da pequena. Não lhe deu ouvidos. Isso é coisa da sua cabeça, imagina, criança não tem maldade. Agora, evitava visitar-lhe. Cumpria o estritamente necessário, natal, aniversários, etc. Loira-burra, barrada ao convívio, entretinha-se com livros. (Aluísio Martins)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

????

Perguntas sem respostas

Cadê você?
De todo mundo
Em todo o mundo
Atrás da porta
Em toda porta
Por toda parte
Em toda arte
Sob a luz
Debaixo das sombras
Embaixo da unha
Os restos da noite
Dentro da boca
As sobras da vida
Que não tem mais vida
Por quê você?

MASA 19/5/8

PALHAS DO COQUEIRO

SUOR
QUE ESCORRE
FAZENDO CARINHO
QUE PERCORRE
ALHEIOS CAMINHOS
NO GOZO
NO FOGO
DE MANSINHO...

MASA.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Reu do Rio

Assumi que sou um navegante dos ribeiriços em acodir a si
riscos e desatinos; a primeiriços de que torna-me no que vi.
Suspenso por entre um matagal alto, esqueço do que falo e salto para
triste olhar dispenso.
Ao que perdi meu fio da visão, vejo o que vi ao longe, numa enevoada
casa de monge atravessar os que dito um pedi.
à outra margem, soçobrando peixes, desses que deixes por ti levarem
livre na estiagem.
Oi para o que passa, com o rio embassa, eriça e sente formigar da
divisa que chega ao encontrar com o oceano quente.
Tudo o que vejo é escaldar a verdadeira chegada do alvorecer na certa
esteira parecer, aeon e pincel e ensejo.
Para o rio atravessar, conta-se quantas são as tantas mãos as quais
remam e se despedem mais que se perdem no desaguão.
E, tudo isso é infinito, Deus que os pôs à nossa vista, cousa antiga
e tão bonito.
Tudo, então que é, se é para o rio, uma mulher -- a chamo ré. Mas como
sou homem, meu abdome é só o cio para parir um rio do que ter fé.
Sou réu do rio, e não tardio a descobrir o que ele é.

Petro

Fortaleza, 11/09/08

domingo, 28 de setembro de 2008

NOITE LONGA


A SOLIDÃO É COMPANHEIRA

BATE NO OMBRO

AFAGA A BARBA

ENCHE O COPO

(COM O MESMO ARDOR QUE O ESVAZIA)


A SOLIDÃO É COMPANHIA

DORME AO LADO

VIVE DENTRO

MORRE LONGE


MASA - 24/9/8

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O que eu seria se não eu não fosse eu mesmo?

Eu provavelmente quase nada faria. Não doeria em ninguém, de preferência. Mas também não me candidataria a ser mártir de causas alheias. Teria mais defeitos, com certeza. Porque ousaria mais e mais e mais. Outra coisa que faria, seria destruir todos os relógios do mundo e todos os calendários também. Compromissos só agendaria para a próxima vida (se houvesse). Caso não fosse possível a extinção de tais contagens, faria, por decreto, todos os dias terem autonomia de se instaurarem de acordo com suas vontades. Por exemplo, a segunda-feira só despertaria num outro dia, provavelmente com duas ou mais horas de preguiça - palavra que alguns insistem em chamar de atraso. Mandaria de volta para o reino maldito da coca-cola, o seu mascote, o Papai Noel. Se fosse mamãe, ainda vá lá... E que mesmo assim fosse, que não se fizesse das renas trabalhadoras braçais. Isso não. Até porque, as mulheres bem sabem voar - com vassouras e outros instrumentos mágicos. O cumprimento oficial e solene seria beijinho de esquimó e de borboleta. Que coisa linda, presidentes de nações esfregando seus narizinhos e se fazendo cosquinha com seus olhinhos. Seria uma boa medida para medir as suas mentiras (narizes), não? Então, estou vendo mesmo é que eu seria, acho, que um ditador. Mas um ditador que iria obrigar todo mundo a ser anarquista. Só se podia ser fiel a si mesmo. Ou seja, todos teriam, sob pena de vida, que ser muito felizes. E você? O que você seria? (Aluísio Martins)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A CONDIÇÃO HUMANA - André Malraux

Pag. 280:
“Sou atirado para fora do tempo”; o filho era a submissão ao tempo, ao fluir das coisas; com certeza, no fundo, ...era esperança como era angústia, esperança de nada, espera, e fora preciso que o seu amor tivesse sido esmagado para que tal descobrisse. E, no entanto! Tudo quanto o destruía encontrava nele um acolhimento ávido. “há algo de belo em estar morto”, pensou. Sentia tremer nele o sofrimento que vem dos seres ou das coisas, mas o que vem do próprio homem e a que a vida se esforça por no arrancar; podia escapar-lhe, mas só deixando de pensar nele; e nele mergulhava cada vez mais, como se essa contemplação aterrada fosse a única voz que a morte pudesse ouvir, como se o sofrimento de ser homem, de que se impregnava até o fundo do coração, fosse a única oração que o corpo do filho morto pudesse ouvir.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

OLHA A ELEIÇÃO AÍ, MINHA GENTE!!!!!!

Pai, tenho um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, meu filho, qual é a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem, política envolve: Povo; Governo; Poder econômico; Classe trabalhadora; Futuro do país.
- Não entendi. Dá para explicar?
- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do país e a Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai. Vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmãozinho, o menino, foi ver o que havia de errado. Descobriu que o irmãozinho tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e viu que sua mãe estava num sono muito profundo. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama com ela. Como os dois nem perceberam o menino na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
- Pai, agora acho que entendi o que é política.
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. o povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

KOURNIKOVA


LI ANNA

E que letras

contornos incríveis,

com seu estilo clássico

LI ANNA

que conjunto de palavras

que sonetos

que sonorização na minha cabeça insana

LI ANNA

que fim!


MASA

domingo, 31 de agosto de 2008

amar, brigar, escrever - foder

Há somente três coisas que sei fazer com êxito: Amar que é, em suma, foder de certa forma; brigar que pode ser também uma outra forma de foder; e escrever que é foder de toda forma.
Quer dizer, bem ou mal, só sei foder.
(aluisiomartins)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

CINEMA EM CASA

SACO!!!!
Ontem fui me divertir...pelo menos achei que seria, em tempo integral!
Mas o quê?!!
Um dos melhores e mais gostoso filme do circuitão nacional "NOME PRÓPRIO" do Murilo Salles.
E quem mais? Uma sala cheia de comentaritas e narradores. me senti vendo o filme como se fosse um "brasileirão" com direito a Galvão Bueno, Renato Marsiglia e Falcão, juntos, falando ao mesmo tempo.
Como falta educação em nossas salas de cinema! mas, também, querer o quê?
Falta na sala de estar, de jantar, no quarto, na cozinha, na escola...por que o cinema seria exceção?????

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

FLORES E FOLHAS


cada parte sua que desliza sob minha mão

É uma pétala do que você representa no meu jardim

Suas folhas, que passeiam no meu corpo

Trazem o aroma infindável de nossos beijos.

E sua flor, que molha quando toca meus lábios,

Exprime o pulso que explode dentro do meu desejo.

Assim, você: flor, eu: jardim,

Continuamos brilhando sob a lua dos suspiros

Dos eternos namorados apaixonados...

AQUIRY


Céu negro das nuvens

Que vêm banhar

O verde cheiro de

Amor à terra.

Este chão duro

Onde piso a

Trilha aberta

Pelo suor da vontade

De chegar lá.

Longe.

Não na distância

Mas no fomento dos desejos.


É agosto. Tempo sem cura nem alívio. Estamos à gosto de delírio.
Eu me cobriria de silêncio se ousasse apenas um único questionamento: o que ainda não foi dito?
É por estupida surdez que ainda me insisto.
É por estoica mudez que ainda me grito.
Não conto até dez e cego e inconscientemente me repito.
Acontece que o ser humano – e talvez todo ser animado – só consiga o entendimento, a liberdade, quando se apropria dos verbos e quando expropria o pensamento. Pensamento é conjunto e portanto sempre coletivo. Para que se exista, há que se conjugar.
Desta maneira que palavras precisam e devem ser engolidas, digeridas e expurgadas depois adubando vidas, ainda que quando expelidas nunca mais serão as mesmas.
Claro que precisam ser expelidas. É aí que se adubam as existencias. Caso contrário, empedram. Engolir palavras na ponta da língua mumifca a vida. Causa alteração drástica de humores com rumores de desistência. Causam tumores a revelia dos maniqueísmos. Não importa a malignidade como coisa e fato. O fato é que essa carcomência apodrece o existir. A boca encerra, cheia de dentes fissurados, se trincando por não terem o que morder. A língua morre a míngua de excesso de escuros.
A dúvida quando nos cala à força do medo pode ser medusa terrível. Porém, nem meia duzia de versos e prosas já é sublimação consistente.
Toda essa fisiologia não é simples como parece. Os três movimentos se desentendem com frequência. Disputam nas interdependências suas inteiras independências. Estão atados mas não por gosto. Prova é que expelimos muitas vêzes vazios. Gases inócuos que advêm do oco das sensações. Noutras mal provamos do recém-dito e, como fosse pimenta braba engolida a seco, cuspimos iras, incinerando toda a chance de entendimento. Após certo tempo é que, sanada a queimadura, realizamos a maturidade sem desditos. Ou seja, memorizamos os sabores que serão utencílios fundamentais e jamais serão esquecidos.
Nessa matéria, tudo que existe se consiste de peso e medidas extremas.
Note-se o elefante maduro que com suas toneladas quânticas, paradoxalmente, dá preferência as folhas e aos frutos. Quer dizer, sabe da necessidade do equilibrio no diálogo das diferenças.
Antes do meio termo, o homem andará em meio as incertezas. Terá que provar de tudo.
(aluisiomartins)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O Escritor

Para não ser simplista
o mal de todo artista
o bem da humanidade
escrever com vontade

Para não cair no clichê
Para não perguntarem por quê?
É preciso ser
Escritor pra saber.

Na pauta, a pena
Na voz, o poema
Na vida, a cena
Em si, este lema

Cair em si
é para o escritor
como rir
ao sentir dor

Tão leve ao vento
estão as palavras
que ao desatento
são só palavras.

11/08/08

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A fala de quem não falha


desconheço o autor da obra*


Não escuta e já retruca. Assim é fala de quem não falha por covardias.

Ah, foi culpa do pingo que molhou fora do... Ih, deu tudo errado – vou pedir a Ele dias melhores.

Aja, mas não como a naja que se move iludida da flauta de mantras.

Aja com termo próprio.

O opróbrio é bom brio de quem ousa.

E bom brio tem bem mais que mil e uma utilidades.

(aluisiomartins)